Estudo aponta regeneração natural das florestas como aliada contra espécies invasoras
Matas secundárias se recuperam com o tempo e reduzem espécies exóticas, fortalecendo ecossistemas tropicais
Pesquisadores analisaram dados de mais de 1,5 mil áreas em toda a América. Resultado indica que árvores não nativas tendem a diminuir à medida que as nativas crescem, beneficiando a biodiversidade.
Uma pesquisa internacional revelou que a regeneração natural das florestas tropicais desempenha um papel fundamental na redução de espécies exóticas invasoras ao longo do tempo. Segundo informações divulgadas pela Agência FAPESP, o estudo, que envolveu cerca de 60 instituições e analisou dados de mais de 1,5 mil áreas em diferentes partes das Américas, aponta que árvores não nativas, que inicialmente proliferam especialmente nas primeiras duas décadas após o desmatamento, tendem a declinar conforme as árvores nativas crescem e assumem o domínio do ambiente.
Segundo a primeira autora do estudo, a pesquisadora Angelica Faria de Resende, a preocupação com espécies invasoras ocorre porque elas podem alterar processos naturais, modificar redes tróficas e afetar a diversidade biológica das florestas. O estudo, realizado durante seu pós-doutorado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) e com estágio na Universidade de Stirling, na Escócia, constatou que, nas matas úmidas, as árvores exóticas chegaram a representar 28% dos troncos e 22% das espécies nas primeiras décadas de regeneração. Nas florestas secas, esses índices foram menores, atingindo cerca de 9% em ambos os indicadores.
Resende explica que as espécies não nativas, muitas delas com características de pioneiras, crescem rapidamente e necessitam de luz abundante para se desenvolver. Como essas condições são mais presentes em áreas de pastagens recém-abandonadas, elas dominam inicialmente e competem com espécies nativas de crescimento mais lento, que germinam na sombra e se estabelecem posteriormente. À medida que a vegetação avança e as árvores nativas crescem, a presença de espécies invasoras tende a diminuir, permanecendo apenas em baixa densidade nas fases mais avançadas da maturação da floresta.
O estudo também destacou que, das 3.735 espécies monitoradas, 131 eram consideradas não nativas/não invasoras, 14 tinham potencial para invasão (ou seja, são invasoras em outros países) e 11 eram efetivamente invasoras. A presença de árvores não nativas em áreas de florestas secas foi de aproximadamente 18%, enquanto nas áreas úmidas atingiu cerca de 41%, mostrando uma maior prevalência nessas últimas condições, segundo a mesma fonte.
A pesquisa ainda não foi oficialmente confirmada por outras fontes além da Agência FAPESP, e os resultados sugerem que a própria maturação natural das matas pode atuar como uma solução ecológica para o controle de espécies invasoras, reforçando a importância de estratégias que preservem o crescimento espontâneo das florestas em projetos de restauração. Ainda assim, o estudo reforça que o impacto dessas espécies exóticas tende a ser parcial ou temporário, com as árvores nativas recuperando seu espaço com o passar do tempo.
O que sabemos?
- Espécies invasoras proliferam nos primeiros 10 a 20 anos após desmatamento.
- Árvores não nativas representam até 28% dos troncos em matas úmidas na fase inicial.
- Ao longo do tempo, as espécies exóticas tendem a diminuir conforme a floresta amadurece.
- A prevalência de árvores não nativas é maior em áreas de florestas úmidas (41%) do que em secas (18%).
Fontes
- Agência FAPESP fonte oficial




