Ciência

Dinossauro sem dentes pode ter se alimentado de frutas macias, aponta estudo

Em apuração ?

'Frango do inferno' surpreende com possível dieta especializada, novo entendimento sobre comportamento de dinossauros do período Cretáceo

Fóssil do dinossauro Infernogallus jamesi, com destaque para o crânio reconstruído digitalmente.
Imagem: Aventuras na História

Um fóssil de um dinossauro denominado Infernogallus jamesi, encontrado na Formação Hell Creek, revelou evidências que sugerem uma alimentação diferente da clássica herbívora com mordidas fortes. Pesquisadores acreditam que ele possa ter se alimentado de frutas macias, o que mudaria o entendimento sobre a dieta dos dinossauros sem dentes.

Um fóssil de um dinossauro sem dentes, apelidado de ‘frango do inferno’, levanta dúvidas e provoca novas hipóteses sobre a alimentação de alguns grupos de dinossauros do final do período Cretáceo. Segundo informações divulgadas ainda não oficialmente, um estudo recente publicado na revista Nature Communications analisa esse espécime, chamado Infernogallus jamesi, que viveu há aproximadamente 66 milhões de anos na América do Norte, e pesa cerca de 12 quilos, sendo de tamanho semelhante ao de um peru.

De acordo com a fonte, o fóssil foi encontrado na Formação Hell Creek, uma área rica em vestígios paleontológicos que cobre partes de Montana, Dakota do Sul e Dakota do Norte. A descoberta é importante porque inclui o primeiro crânio quase completo conhecido desse grupo de dinossauros, os caenagnatídeos, que possuem bicos sem dentes e corpos esguios. Apesar da raridade de ossos tão delicados nesses fósseis, a equipe de pesquisadores conseguiu reconstruir digitalmente os restos, mesmo com partes esmagadas do crânio e da mandíbula.

Gregory F. Funston, da Universidade Stony Brook, em Nova York, liderou as análises, usando tomografias computadorizadas para separar e reconstruir os ossos. O estudo examinou os pontos de ligação dos músculos mandibulares e comparou as estruturas com as de aves modernas, especialmente aquelas que comem frutas, como papagaios. Entre as descobertas, destacou-se que a musculatura do ‘frango do inferno’ não permitia movimentos de mordida forte, mas sim um deslizar da mandíbula para frente e para trás, semelhante ao comportamento de aves frugívoras.

Outro detalhe importante foi a ausência de pedras na cavidade do animal, elementos muitas vezes utilizados por herbívoros para triturar alimentos. Essa ausência reforça a hipótese de uma alimentação baseada em alimentos mais macios, como frutas, que também apresentava sulcos internos capazes de agir como uma espécie de almofariz e pilão para amassar frutos carnudos e macios. A comparação com aves frugívoras levou os pesquisadores a sugerir que o ‘frango do inferno’ poderia ter se alimentado de frutas maduras, processando sua polpa com movimentos semelhantes aos dos papagaios.

Apesar das evidências, a hipótese ainda não foi totalmente confirmada e aguarda outras análises para comprovar o papel do dinossauro na dispersão de sementes ou na evolução de plantas frutíferas na época. A pesquisa aponta para uma possível diversificação na alimentação dos caenagnatídeos, tornando esses dinossauros mais complexos do que se pensava anteriormente, especialmente na relação que tinham com o ambiente vegetal do final do Cretáceo. No momento, ainda não há uma confirmação oficial de que essa espécie realmente tenha se especialização na alimentação de frutas macias, e a comunidade científica aguarda novas investigações para aprofundar essa hipótese.

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O que sabemos?

  • Fóssil de um dinossauro sem dentes foi encontrado na Formação Hell Creek.
  • O animal, chamado Infernogallus jamesi, viveu há cerca de 66 milhões de anos.
  • Pesava aproximadamente 12 quilos e tinha tamanho semelhante ao de um peru.
  • Estudos sugerem que sua mandíbula movimentava-se de forma semelhante à de aves frugívoras.
  • A hipótese aponta para uma dieta possivelmente baseada em frutas macias.

Fontes

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