Estudo genético revela detalhes inéditos sobre a Europa Medieval
Projeto analisa DNA de sepultamentos para entender migração, cultura e doenças da época
Investigação baseada em 7.700 sepultamentos de cerca de 100 cemitérios na Europa Central e Oriental promete mudar a história da Idade Média com novos dados genéticos.
Um grande projeto de pesquisa internacional está utilizando análise de DNA para desvendar aspectos pouco conhecidos da Europa Medieval, período que vai aproximadamente do século V ao IX. Segundo fontes ainda não confirmadas oficialmente, o estudo busca examinar o material genético de restos humanos de cerca de 7.700 sepultamentos, distribuídos em aproximadamente 100 cemitérios na região da Europa Central e Oriental, incluindo países como Hungria, Áustria, Eslováquia, República Tcheca, Eslovênia, Sérvia e Romênia. Esses locais, alguns dos mais importantes para a história daquele período turbulento, estão agora no centro de uma pesquisa pioneira que pode transformar a compreensão histórica fundamentada até então apenas em documentos escritos e achados arqueológicos. De acordo com um estudo divulgado por um projeto chamado HistoGenes, o objetivo é cruzar informações genéticas com objetos arqueológicos, datações por radiocarbono e fontes históricas, permitindo investigar questões antes insolúveis, como os padrões de migração, organização familiar, práticas matrimoniais, movimentações de indivíduos entre comunidades e respostas a doenças e convulsões políticas naquele período. A iniciativa, vinculada à exposição 'GENchangers: Segredos decodificados de locais de sepultamento do início da Idade Média', também permitiu, em alguns cemitérios, a construção de árvores genealógicas de até seis gerações de uma mesma família, algo inédito na arqueogenética. Um exemplo de destaque está na análise de dois cemitérios do povo Ávaro, publicados na revista Nature em 2025. Os fósseis de Leobersdorf, ao sul de Viena, revelaram uma população majoritariamente de ascendência do Leste Asiático no século VIII, contrastando com Mödling, onde os habitantes tinham origem europeia; ambos, porém, apresentavam práticas culturais semelhantes, como costumes funerários e uso de acessórios, ressaltando que cultura e etnia nem sempre se confundem. O estudo destaca que a compreensão da composição populacional daquela época ainda está em fase inicial, mas promete fornecer insights que poderão alterar conceitos tradicionais sobre a miscigenação e as identidades culturais na Europa medieval. Ainda não há confirmação oficial de todas as descobertas, e o projeto aguarda novas análises e resultados adicionais, mas o potencial para aprofundar o entendimento sobre um período considerado de grandes transformações — como o colapso do domínio romano, a chegada dos hunos e avaros, e a expansão das populações eslavas — é enorme, podendo inclusive diminuir a dependência de registros escritos escassos ou ausentes. O historiador Walter Pohl, um dos líderes da pesquisa, comentou que 'a cultura não é determinada biologicamente', reforçando a importância de separar aspectos culturais dos genéticos na análise do passado, uma nova abordagem que promete enriquecer a história tradicional com evidências científicas inovadoras.
O que sabemos?
- O projeto analisa DNA de sepultamentos de 7.700 indivíduos em cerca de 100 cemitérios na Europa entre 400 e 900 d.C.
- As regiões de foco incluem a Hungria, Áustria, Eslováquia, República Tcheca, Eslovênia, Sérvia e Romênia.
- Estudos já revelaram diferenças étnicas entre comunidades próximas, como em Leobersdorf e Mödling, na Áustria.
- A análise genética permite compreender migração, relações familiares, práticas funerárias e respostas a doenças na Europa Medieval.
- Ainda não há confirmação oficial de todas as descobertas; o estudo está em andamento.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada





