Cientistas decidem acabar com o segundo bissexto a partir de 2027
Reforma no ajuste do tempo deve evitar falhas em sistemas digitais sensíveis
Durante uma conferência na França, cientistas aprovaram a retirada do uso do segundo bissexto, um ajuste que vinha sendo feito desde 1972 para harmonizar o tempo oficial ao movimento da Terra.
Na última quinta-feira (15), uma decisão importante foi tomada por cientistas e representantes de diversos países durante a Conferência Geral de Pesos e Medidas, realizada em Versalhes, na França. Eles aprovaram o fim do uso do chamado 'segundo bissexto' a partir de 2027, uma mudança que promete impactar a forma como o mundo marca o tempo. Desde 1972, esse ajuste era realizado para que o Tempo Universal Coordenado (UTC), um padrão baseado em relógios atômicos extremamente precisos, permanecesse alinhado com o movimento da Terra, que é responsável por determinar o dia, a noite e o calendário. O segundo bissexto, que até então era acrescentado de tempos em tempos, servia justamente para compensar as variações na rotação do planeta, que não é exatamente constante devido a fatores como movimentos no núcleo, oceanos e atmosfera. Segundo a fonte, até hoje, 27 segundos bissextos já foram incluídos nesse sistema para manter a sincronização.
O objetivo principal dessa mudança é evitar possíveis falhas em sistemas que dependem de uma sincronização extremamente precisa, como redes de telecomunicações, satélites, bolsas de valores, data centers e redes de energia. Ainda de acordo com a mesma fonte, há anos cientistas vêm discutindo a possibilidade de que a rotação da Terra também passe por períodos de aceleração, o que levou à ideia de que, no futuro, poderia ser necessário retirar segundos, e não acrescentá-los, como sempre foi feito. Este cenário, chamado de 'segundo negativo', ainda não foi implementado, e especialistas alertam para o risco de efeitos imprevisíveis em sistemas digitais que dependem de uma sincronização rigorosa. A decisão, portanto, antecipa uma mudança que antes era prevista apenas para 2035, agora já marcada para oito anos antes, com a perspectiva de que, a partir de 2027, o UTC possa se afastar da rotação terrestre sem que os relógios sofram ajustes adicionais. O impacto direto na rotina das pessoas, no entanto, será mínimo, pois essa alteração não será percebida no dia a dia. Ainda assim, o esforço visa garantir maior estabilidade tecnológica em sistemas complexos.
Segundo especialistas ouvidos, a medida é considerada necessária, sobretudo diante do risco de introdução de um 'segundo negativo'. Apesar de ainda não confirmado oficialmente, esse conceito preocupa pelo potencial impacto que poderia causar em sistemas digitais sensíveis. A decisão conta com o apoio de diversos países, mas ainda aguarda confirmações adicionais de outras fontes globais para sua implementação definitiva. Assim, o mundo se prepara para uma nova fase na precisão do tempo, buscando equilibrar a evolução tecnológica com as necessidades de uma sincronização cada vez mais eficiente.
O que sabemos?
- Decisão foi tomada na Conferência Geral de Pesos e Medidas, em Versalhes, França.
- O fim do segundo bissexto será implementado a partir de 2027.
- A mudança visa evitar falhas em sistemas que dependem de sincronização precisa.
- Desde 1972, 27 segundos bissextos já foram acrescentados.
- Especialistas alertam sobre o risco de um 'segundo negativo' nunca ter sido aplicado anteriormente.
Fontes
- G1 imprensa




