Carros

Produção de veículos no Brasil atinge o maior volume em sete anos, mas com mudança na composição

Em apuração ?

Aumento na fabricação chegou a quase 1,9 milhão de unidades entre janeiro e agosto, impulsionado por modelos importados em sistemas CKD e SKD

Imagem de uma linha de montagem de carros no Brasil
Imagem: Olhar Digital

Nestes primeiros oito meses do ano, o setor automotivo brasileiro registrou crescimento na produção e nas vendas de veículos, embora o mercado continue dependente de componentes importados, especialmente da China.

Segundo fonte especializada, a produção de carros no Brasil atingiu seu maior volume em sete anos, com quase 1,9 milhão de veículos fabricados entre janeiro e agosto de 2025, o que representa um aumento de 8,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do otimismo, a novidade no cenário revela que cerca de dois terços dessa expansão são compostos por modelos montados em sistemas CKD e SKD, métodos que utilizam conjuntos importados desmontados ou semi desmontados, demandando menos mão de obra. Essa mudança na composição da produção foi notada por especialistas e pode indicar uma tendência de crescimento da produção por esses processos, especialmente após a extensão de incentivos ao setor automotivo.

Ainda de acordo com os dados, a produção completa de veículos no país continua a representar apenas um terço do total produzido, enquanto o restante é originado de conjuntos importados em diferentes estágios de montagem. Entre janeiro e agosto, as montadoras brasileiras produziram aproximadamente 1,9 milhão de unidades, e as exportações somaram cerca de 39,8 mil veículos em agosto, aumento de 2,2% em relação a julho, porém queda de 31,7% na comparação com agosto de 2024. Na análise do acumulado do ano, as exportações recuaram 22,9%, principalmente por uma redução nas vendas para países como Argentina, além de outros mercados latino-americanos e na China.

Por outro lado, as importações de veículos cresceram expressivamente, chegando a 406,7 mil unidades nos primeiros oito meses do ano, crescimento de 29,8%, com mais da metade provenientes da China. Segundo informações não oficiais, essa participação chinesa na importação total dobrou no período. Em agosto, os registros de veículos atingiram 275,1 mil unidades, o que, apesar de ser 1,6% inferior a julho, foi 22,1% maior que o mesmo mês de 2024, mostrando que o mercado interno ainda se mantém aquecido. Os emplacamentos totalizaram 1,975 milhão de unidades de janeiro a agosto, alta de 18,4%, com a marca de 2 milhões atingida ainda no começo de setembro, um avanço em relação ao mesmo período do ano passado.

Um dado importante que demonstra o avanço na preferência por veículos eletrificados foi a participação recorde de 24,4% nas vendas em agosto, movida pela forte entrada de modelos elétricos puros — que responderam por 25,9 mil unidades, além de híbridos. No acumulado do ano, esses segmentos totalizaram 372 mil registros, um aumento de 125,8% frente ao mesmo período de 2024. Parte dessa movimentação é apoiada pelo programa Carro Sustentável, válido até o fim de 2026, que registrou alta de 27,2% nas vendas de veículos eletrificados desde julho de 2024.

No segmento de veículos pesados, a iniciativa Move Brasil ajudou a reduzir a queda nas vendas de caminhões, que chegou a 31,5% em janeiro, mas caiu para apenas 4,9% em agosto, com um total de 70,7 mil unidades emplacadas até o momento. Para os ônibus, o número foi de 14,5 mil unidades, com recuo de 7,6%, indicando certa recuperação no mercado interno, embora haja uma presença crescente de componentes e veículos importados, principalmente da China. Ainda não há confirmações oficiais sobre quem será o principal beneficiado nessa mudança, que evidencia uma maior dependência de importações, refletindo a complexidade do atual cenário econômico para o setor automotivo brasileiro.

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O que sabemos?

  • Produção de veículos no Brasil foi a maior em 7 anos com quase 1,9 milhão de unidades entre janeiro e agosto de 2025.
  • Dois terços do aumento na produção são de modelos montados em CKD e SKD, que utilizam componentes importados.
  • Exportações tiveram recuo de 31,7% em agosto em relação ao mesmo mês de 2024, enquanto importações cresceram 29,8% no mesmo período.

Fontes

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