Carros

Baixa adesão ao Move Brasil revela dificuldades na concessão de crédito para motoristas de aplicativo

Em apuração ?

Programa do governo federal ainda enfrenta obstáculos que limitam o acesso aos financiamentos para compra de veículos

Gráfico mostrando os percentuais de aprovação de crédito do Move Brasil
Imagem: Autoesporte

Apesar de ter R$ 30 bilhões disponíveis, apenas cerca de 7,3% do crédito destinado ao Move Brasil foi aprovado até julho de 2026, indicando baixo uso do recurso.

De acordo com dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) nesta terça-feira (8), o programa governamental Move Brasil, voltado para facilitar a compra de veículos por taxistas e motoristas de aplicativo, continua realizando aprovações de crédito que representam uma parcela minúscula do total disponível. Do montante de R$ 30 bilhões reservados para essa finalidade, apenas R$ 2,2 bilhões tinham sido aprovados até julho de 2026, o que equivale a pouco mais de 7% do valor total, segundo a mesma fonte. Essa baixa adesão se destaca ainda mais quando comparada às fases iniciais do programa; na primeira etapa, Move Brasil I, R$ 9,4 bilhões foram aprovados de um total de R$ 10 bilhões, enquanto na fase seguinte, Move Brasil II, R$ 20 bilhões foram autorizados de R$ 21,2 bilhões, ambos índices superiores a 90%.

Segundo informações de fontes ligadas ao setor, a dificuldade de efetivação dos financiamentos não parece estar relacionada à falta de interesse por parte dos motoristas. Contudo, o atendimento dessas demandes enfrenta obstáculos logísticos e burocráticos. Ainda não há confirmação oficial, mas fontes apontam que problemas nos sistemas de análise, bem como entraves entre instituições financeiras e o BNDES — banco responsável pelo programa —, contribuíram para atrasos na liberação dos créditos. Além disso, mesmo quando o cadastro do motorista é considerado elegível, a aprovação final depende do banco, que avalia a renda, o endividamento, o histórico financeiro e outros critérios. Essa etapa pode excluir profissionais que tenham score de crédito baixo ou dívidas anteriores, reduzindo ainda mais a taxa de aprovação.

Para tentar reverter essa situação, o governo anunciou mudanças nas regras do programa em agosto. Uma das principais foi o aumento do valor máximo do carro financiável, que passou de R$ 150 mil para R$ 200 mil. Poucos dias depois, o Conselho Monetário Nacional (CMN) ampliou o prazo de pagamento, de 72 para 84 meses — ou seja, até sete anos. Esses ajustes tiveram como objetivo ampliar o alcance do benefício, permitindo a inclusão de veículos de categorias superiores, como SUVs médios e veículos híbridos. Segundo o governo, essa alteração elevou de 63% para 88% a cobertura dos modelos disponíveis no mercado nacional, considerando o aumento no teto de valor. Dados de levantamento da Data Machine indicam que veículos híbridos e elétricos já representam cerca de 41,4% das corridas de aplicativo, o que reforça o interesse dos motoristas por modelos mais modernos e sustentáveis.

Por ora, o sucesso do programa ainda depende de superar os obstáculos na análise de crédito e na operação financeira. A expectativa é que, com as novas regras, mais motoristas possam obter os financiamentos necessários para renovar suas frotas, contribuindo para a modernização e a redução de emissões no setor de transporte por aplicativo. No entanto, o cenário atual evidencia desafios que ainda precisam ser enfrentados para ampliar o alcance do Move Brasil e garantir que mais profissionais tenham acesso ao crédito facilitado, como foi inicialmente planejado pela iniciativa governamental.

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O que sabemos?

  • Apenas 7,3% do crédito de R$ 30 bilhões do Move Brasil foi aprovado até julho de 2026.
  • Na primeira fase, Move Brasil I, foram aprovados 94% dos recursos previstos; na segunda, 94,3%.
  • A baixa adesão não é necessariamente por falta de interesse, mas por dificuldades na aprovação final do financiamento.
  • O governo aumentou o teto de valor do carro financiável de R$ 150 mil para R$ 200 mil e o prazo de pagamento de 72 para 84 meses.

Fontes

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