Carros antigos e gasolina E32: o que dizem os especialistas sobre adaptações
A chegada da mistura E32 acende o debate sobre segurança e modificações em veículos clássicos
Com a introdução da gasolina E32 em postos brasileiros, proprietários de carros antigos estimulam discussões sobre possíveis adaptações para suportar maior concentração de etanol, incluindo a instalação de conversores. Especialistas alertam que essas soluções não transformam veículos em flex oficialmente.
Desde o início de agosto de 2026, a gasolina vendida no Brasil passou a ser, de forma temporária, uma mistura chamada E32, composta por 68% de gasolina comum e 32% de etanol anidro. Essa mudança, que aumentou os níveis de etanol em 2 pontos percentuais, foi respaldada por estudos que não indicaram impacto relevante no funcionamento de veículos avalizados, embora não haja, até o momento, análises de durabilidade de longo prazo com essa composição.
No contexto dessa alteração, gerou-se no meio de proprietários de veículos antigos, que normalmente são movidos apenas a gasolina, uma preocupação quanto à compatibilidade. Em grupos de discussão no Facebook, há relatos de interesse em adaptações, especialmente na instalação de dispositivos chamados conversores, como o BioFlex ECO e o Flex Master, que prometem permitir que esses carros possam funcionar com etanol ou uma mistura de combustíveis. O valor desses dispositivos é estimado em cerca de R$ 500, e eles são amplamente divulgados na internet.
Apesar do apelo comercial, o funcionamento desses conversores não transforma tecnicamente o veículo em um carro flex, uma vez que eles não alteram as componentes internas do motor nem substituem a central eletrônica original. Segundo especialistas ouvidos por Autoesporte, esses dispositivos atuam apenas no gerenciamento eletrônico, alterando a duração do pulso enviado aos bicos injetores, que controla a quantidade de combustível injetada e, por consequência, a combustão no motor.
Um dos especialistas, o professor Clayton Zabeu, do Instituto Mauá de Tecnologia, explicou que esses módulos eletrônicos, como o BioFlex, são posicionados entre a central de injeção eletrônica original e os injetores. Eles têm, normalmente, até 16 posições de regulagem, que podem ser ajustadas para permitir uma mistura de até 15% de etanol com gasolina, mas não mudam as características físicas do motor. Assim, o motor ainda continuará sendo movido por gasolina, apenas com uma gestão eletrônica que permite maior tolerância ao etanol.
Segundo informações da fabricante do BioFlex ECO, a instalação não requer cortes na fiação original, facilitando o processo, que consiste na conexão entre o módulo e os conectores da ECU, a central eletrônica do carro. Ainda assim, especialistas ressaltam que essa solução apenas simula um funcionamento flex, sem a verdadeira adaptação que ocorre em veículos oficialmente fabricados para isso. Ainda não há consenso ou análise de longo prazo sobre a segurança e a durabilidade de carros antigos com esses dispositivos instalados, o que mantém a preocupação de muitos proprietários e mecânicos sobre possíveis riscos futuros.
O que sabemos?
- A gasolina E32 foi adotada temporariamente desde agosto de 2026 com 68% de gasolina e 32% de etanol.
- A mistura E32 elevou em 2 pontos percentuais o teor de etanol na gasolina comum.
- Dispositivos como o BioFlex ECO prometem permitir que carros a gasolina funcionem com etanol ou uma mistura de até 15% de gasolina.
- Esses conversores não transformam tecnicamente o veículo em um carro flex, apenas gerenciam eletronicamente o combustível.
- Especialistas alertam que a instalação desses dispositivos não garante a segurança ou a durabilidade de carros antigos com essas alterações.
Fontes
- Autoesporte fonte especializada



