Saúde

Profissionais brasileiros atuam no tratamento de crianças queimadas em Angola

Em apuração ?

Médicos e enfermeiros do Brasil ajudam a reduzir sequelas graves em vítimas de acidentes domésticos

Criança com cicatrizes após queimadura em Angola
Imagem: G1

Em Angola, equipes de saúde brasileiras realizam cirurgias e capacitam profissionais locais para lidar com o alto índice de queimaduras entre crianças, especialmente por fogareiros e fogo no interior de casas.

Em Angola, uma realidade preocupante tem chamado a atenção de profissionais de saúde brasileiros que atuam no país. Muitas famílias vivem em casas compostas por um único cômodo, muitas vezes sem fogão, e costumam acender fogareiros no chão para cozinhar ou se aquecer. Essa rotina de cozinhar e aquecer o ambiente dentro das próprias residências aumenta significativamente o risco de acidentes com fogo, especialmente para as crianças pequenas, que ficam próximas às chamas.

Segundo informações de uma fonte do Ministério da Saúde brasileiro que acompanha a missão, as queimaduras de crianças nesses contextos são frequentes, e muitas vezes graves, devido à dificuldade de acesso ao atendimento especializado. Dependendo da gravidade, uma queimada pode causar sequelas severas, como a incapacidade de abrir a boca, movimentar pescoço, levantar os braços ou vestir uma roupa. Essas sequelas, na maioria das vezes, poderiam ser evitadas ou reduzidas com o tratamento adequado logo após o acidente.

As ações dos profissionais brasileiros incluem não só intervenções cirúrgicas em casos mais complexos, como também a capacitação de profissionais angolanos para o atendimento inicial e tratamento de queimaduras menores. Segundo essa fonte, médicos, enfermeiros, anestesistas e outros especialistas doam seu tempo e expertise para ajudar a minimizar os danos às crianças vítimas dessas lesões. Uma pesquisa recente realizada em Angola revelou que 64% dos casos de queimaduras atendidos no Hospital Especializado Neves Bendinha envolveram pacientes com até 5 anos de idade, sendo que as crianças de 1 ano foram as mais afetadas, representando 26% dos registros.

Um exemplo recente relata o caso de uma menina de 3 anos que sofreu uma queimadura de terceiro grau em todo o rosto. Segundo o cirurgião plástico voluntário que atendeu o caso, ela chegou ao hospital após ficar muito próxima ao fogo depois que a mãe saiu. Como resultado, ela perdeu parte de um olho, quase todo o nariz e parte do lábio. A criança, que estava internada há cerca de dois meses, deve ficar com várias cicatrizes e receberá tratamento especializado para enfrentar as sequelas. A equipe brasileira realizou enxertos de pele e outras cirurgias para reduzir o tempo de hospitalização, mas a gravidade do caso reforça a importância dessa ajuda humanitária.

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Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), as queimaduras são responsáveis por aproximadamente 180 mil mortes por ano no mundo, sendo mais comuns e letais em países de baixa e média renda, como Angola. Ainda de acordo com a OMS, entre crianças, as queimaduras figuram como a quinta causa mais comum de lesões não fatais. Na região africana, onde estão 47 países, a incidência de mortes por queimaduras entre menores de 5 anos é mais de duas vezes maior que a média mundial, refletindo especialmente a vulnerabilidade criada por condições de moradia precárias e o uso frequente de fogareiros no chão e velas durante a noite.

Embora ainda não tenha sido confirmado oficialmente por outras fontes, a ação humanitária brasileira continua sendo uma esperança para muitas dessas famílias, trazendo esperança de tratamento, prevenção e capacitação para profissionais locais, na tentativa de diminuir o impacto dessas tragédias que afetam sobretudo as crianças pequenas.

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O que sabemos?

  • Profissionais de saúde brasileiros atuam em Angola atendendo crianças queimadas
  • Muitas residências do país são pequenas e sem fogão, com fogo aceso no chão
  • Incidentes de queimaduras são frequentes e podem deixar sequelas graves
  • Pesquisa mostrou que 64% das vítimas de queimaduras têm até 5 anos de idade, com destaque para crianças de 1 ano
  • Caso recente envolveu uma menina de 3 anos com queimadura de terceiro grau no rosto

Fontes

  • G1 imprensa
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