Saúde

Falta de protocolos especializados dificulta detecção de HPV em pessoas transgênero, alerta especialista

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Impacto do preconceito e da ausência de orientações específicas pode atrasar diagnósticos de câncer causado pelo vírus HPV em transitórios

Ilustração representando o cuidado com saúde de pessoas transgênero
Imagem: Folha de S.Paulo

A ausência de protocolos claros para o cuidado com pessoas transgênero no que diz respeito ao HPV aumenta o risco de diagnóstico tardio de cânceres relacionados ao vírus. Pesquisas apontam que o câncer de neovagina, relacionado ao HPV, costuma ser detectado em estágios avançados, dificultando o tratamento.

Segundo a especialista Janaina Janine, doutora em enfermagem pela Uerj, a falta de protocolos específicos para o cuidado de pessoas transgênero no que se refere ao HPV (papilomavírus humano) é uma das principais dificuldades enfrentadas na detecção precoce de cânceres associados ao vírus. Para ela, essa ausência de orientações e o preconceito ainda presentes na área da saúde contribuem para que muitos casos sejam identificados em estágios avançados, o que reduz significativamente as chances de tratamento bem-sucedido.

O HPV compõe uma família de mais de 200 vírus, e segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), oito em cada dez pessoas sexualmente ativas terão contato com algum desses vírus ao longo da vida. Embora muitos subtipos causem verrugas e lesões menores, há 12 de alto risco, relacionados ao desenvolvimento de cânceres de diferentes regiões do corpo, incluindo colo do útero, pênis, ânus, orofaringe, vulva, vagina e, especialmente para pessoas transgênero, de neovagina.

Janaina realizou uma revisão sistemática analisando mais de 80 casos de câncer em vaginas de pessoas que passaram por transgenitalização cirúrgica, constatando que o aparecimento do câncer na neovagina está ligado ao HPV. Os casos estudados demonstraram que, em grande parte, os cânceres foram detectados já em estágio avançado, apresentando sintomas como sangramentos, corrimentos, dor e até uma massa tumoral visível. Isso reforça a preocupação de que a ausência de protocolos específicos e a dificuldade de acesso a orientações adequadas podem estar contribuindo para a detecção tardia dessas doenças.

Segundo ainda a especialista, essa situação compromete o prognóstico dos pacientes, uma vez que a detecção precoce é fundamental para aumentar as chances de sucesso no tratamento. Além disso, ela enfatiza que o preconceito que ainda permeia o sistema de saúde dificulta o cuidado adequado, deixando muitas pessoas trans sem orientações específicas, o que pode levar a um agravamento dos quadros de saúde. Essas descobertas ainda não tiveram um pronunciamento oficial de órgãos de saúde, e o assunto permanece em discussão entre especialistas e comunidades acadêmicas.

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O que sabemos?

  • A falta de protocolos específicos para cuidados com HPV em pessoas transgênero dificulta a detecção precoce de cânceres relacionados ao vírus.
  • Estudos mostram que cânceres de neovagina em pessoas transgênero, ligados ao HPV, muitas vezes são descobertos em estágio avançado.
  • O HPV é responsável por vários tipos de câncer, incluindo alguns que podem afetar pessoas trans.
  • Mais de 80% das pessoas sexualmente ativas entrarão em contato com o HPV ao longo da vida, segundo o Inca.

Fontes

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