Saúde

Desafios no acesso à prevenção do câncer cervical em comunidades isoladas do Amazonas

Informações checadas ?

Mulheres enfrentam longos deslocamentos e obstáculos culturais para realizar exames preventivos

Mulher embarcando em barco para chegar a uma unidade de saúde no Amazonas
Imagem: Folha de S.Paulo

No Amazonas, a dificuldade de acesso aos exames de prevenção do câncer de colo do útero revela um problema maior de saúde pública. Mulheres em comunidades remotas gastam horas e enfrentam desafios como vergonha, medo e dificuldades logísticas para obter o exame recomendado pelo SUS.

A prevenção do câncer cervical ainda encontra obstáculos significativos em regiões remotas do Brasil, como no Amazonas, onde o caminho até uma Unidade Básica de Saúde (UBS) pode levar horas, às vezes começando até mesmo a bordo de barcos. Segundo relatos de uma farmacêutica que trabalha na região, mulheres de comunidades quilombolas de Tambor, em Novo Airão, e São Benedito, em Manaus, enfrentam uma rotina difícil para realizar exames de rotina que detectam lesões causadas pelo HPV, vírus responsável por quase todos os casos de câncer do colo do útero.

De acordo com informações de uma fonte especializada na área da saúde, para chegar às unidades de saúde, muitas mulheres precisam gastar recursos com transporte, passar várias horas no deslocamento e ainda encontrar alguém que cuide de seus filhos enquanto estiverem ausentes. Essa realidade demonstra uma barreira que ultrapassa a região Norte, uma vez que, no Brasil, muitas mulheres permanecem anos sem fazer o exame de prevenção, mesmo com a orientação do SUS para realizar o rastreio entre os 25 e os 64 anos.

O método tradicional utilizado desde os anos 1980 para detectar lesões precoces era o exame de papanicolau, que coleta células do colo do útero para identificar alterações provocadas pelo HPV. No entanto, uma mudança na diretriz do Ministério da Saúde, que entrou em vigor em 2025, recomenda o teste de DNA-HPV oncogênico como método preferencial de rastreamento, substituindo gradualmente o papanicolau. Ainda não há confirmação oficial de que a implementação desta nova diretriz seja completa em toda a rede de saúde, mas o movimento busca facilitar o acesso às mulheres, especialmente às que vivem em regiões de difícil alcance.

Essa realidade reforça a necessidade de inovar nas estratégias de prevenção, levando em consideração as dificuldades logísticas e culturais das populações mais vulneráveis. A expectativa é que, com o uso de testes mais eficazes e acessíveis, seja possível reduzir o número de casos de câncer cervical, que na sua maioria poderiam ser evitados com exames periódicos e acompanhamento adequado. Até lá, o desafio permanece: garantir que essas mulheres tenham acesso ao exame de forma digna, simples e segura, minimizando as barreiras de vergonha, medo e distância.

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O que sabemos?

  • No Amazonas, o acesso ao exame de prevenção do câncer cervical pode levar horas e começa até mesmo dentro de barcos.
  • Mulheres na faixa de 25 a 64 anos podem passar anos sem fazer o exame de rastreio, mesmo quando oferecem a oportunidade pelo SUS.
  • Desde os anos 1980, o papanicolau era o método padrão para detecção de lesões por HPV.
  • Em 2025, uma nova diretriz do Ministério da Saúde recomenda o teste de DNA-HPV como método preferencial de rastreamento.

Fontes

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