Saúde

Desigualdade na cobertura vacinal contra HPV revela jovens ainda vulneráveis

Informações checadas ?

Diferenças de imunização entre meninos e meninas aumentam riscos de saúde pública

Jovem observando cartaz de campanha de vacinação escolar
Imagem: Folha de S.Paulo

Apesar de avanços, a cobertura vacinal contra o HPV no Brasil ainda apresenta disparidades que deixam muitos jovens desprotegidos. A partir do caso de uma jovem de 26 anos que descobriu tardiamente a importância da imunização, o cenário da vacinação no país é analisado.

A desigualdade na cobertura vacinal contra o HPV, o papilomavírus humano responsável por várias doenças, incluindo o câncer de colo de útero, tem sido motivo de preocupação no Brasil. Segundo informações de uma fonte especializada, embora o país tenha avançado na imunização, muitas pessoas ainda não estão protegidas contra os principais tipos do vírus, especialmente os meninos, cujo índice de vacinação é consideravelmente menor em relação às meninas.

Um caso emblemático divulgado por uma fonte revelou a história de Maria Júlia Pimenta, uma geógrafa paranaense de 26 anos. Ela era adolescente quando, durante uma consulta de rotina com sua ginecologista, descobriu que deveria ter tomado a vacina contra o HPV anos antes. Segundo a profissional, ela ainda poderia se imunizar na rede privada, mas o custo de aproximadamente R$ 2.700, para as três doses necessárias da vacina nonavalente, acabou sendo impeditivo até hoje. Maria Júlia faz parte da primeira geração a ter acesso à vacina pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que a incorporou em 2014. Entretanto, ela descobriu isso tarde demais, quando já tinha saído do grupo prioritário, que vai de 9 a 14 anos.

Dados do Ministério da Saúde indicam que a meta de 90% de cobertura vacinal contra o HPV até 2030 está próxima de ser atingida entre as meninas de 9 a 14 anos, com uma adesão de aproximadamente 86,22%. No entanto, o índice entre os meninos da mesma faixa etária fica em torno de 74,55%, apontando uma disparidade preocupante. Essa diferença é fundamental, pois a infecção pelo HPV é mais comum pelo contato sexual, afetando tanto homens quanto mulheres, e a imunização em ambos os sexos é crucial para a redução da transmissão e do risco de cânceres associados.

O que ainda não está totalmente claro é o motivo pelo qual a cobertura para meninos é tão menor. Segundo especialistas, além de fatores sociais e de acesso, há uma questão de conscientização e de política pública que precisa ser aprimorada. Ainda assim, há uma compreensão de que a maior parte das campanhas e ações de imunização têm focado as meninas, refletindo uma estratégia de prevenção ao câncer de colo de útero, que é mais comum em mulheres, embora a proteção de ambos os sexos seja fundamental.

O caso de Maria Júlia evidencia uma lacuna na implementação das políticas de saúde, além de ilustrar o impacto de uma cobertura vacinal insuficiente. A presença de jovens vulneráveis ao HPV, que poderiam ser protegidos desde cedo, reforça a necessidade de fortalecer campanhas e facilitar o acesso às vacinas, especialmente para os grupos que ainda apresentam baixa adesão. A expectativa é que, até o final desta década, o Brasil consiga ampliar sua cobertura de forma igualitária e alcançar a meta de vacinação universal, priorizando a saúde coletiva e a prevenção de doenças graves.

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O que sabemos?

  • A vacina contra o HPV foi incorporada pelo SUS em 2014.
  • Maria Júlia descobriu aos 17 anos que poderia se imunizar.
  • O custo de três doses da vacina nonavalente é cerca de R$ 2.700.
  • A meta de cobertura vacinal para o HPV é de 90% até 2030.
  • A adesão entre meninas de 9 a 14 anos é de aproximadamente 86%, enquanto entre meninos chega a 75%.

Fontes

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