Saúde

Caso de lesão cerebral em passageira de montanha-russa na cidade de Vinhedo levanta debate sobre segurança de atrações

Em apuração ?

Mulher ficou 57 dias internada após episódio no parque Hopi Hari

Montanha-russa Montezum no Hopi Hari com a jovem acompanhando o passeio
Imagem: Folha de S.Paulo

Uma jovem de 28 anos sofreu uma grave lesão cerebral após andar na montanha-russa Montezum, do Hopi Hari, em dezembro, e sua recuperação tem gerado investigações e debates sobre os riscos das atrações de parque de diversões.

Uma ocorrência envolvendo uma mulher de 28 anos que sofreu uma lesão cerebral após andar na montanha-russa Montezum, no parque Hopi Hari, em Vinhedo (SP), está colocando em foco a segurança de atrações desse tipo. Segundo informações divulgadas pela família e apuradas por fontes ligadas às investigações, Júlia Bossoni, a vítima, andou na montanha-russa duas vezes em abril. Na segunda volta, ela retornou à plataforma desacordada e convulsionando, o que motivou uma rápida atenção médica no local.

De acordo com o laudo médico citado pela família, a jovem apresentou uma hemorragia dentro do crânio e um grande edema cerebral, condições que ocorreram, segundo os especialistas, por um mecanismo conhecido como contragolpe. Este fenômeno acontece quando, mesmo sem uma pancada direta na cabeça, há um movimento brusco de aceleração da cabeça, que faz o cérebro deslocar-se dentro do crânio, podendo causar lesões. Ainda segundo a perícia, o cérebro se desloca e se deforma durante o passeio, e essa movimentação, por si só, não é suficiente para determinar uma lesão, podendo ocorrer em passeios que envolvem forças de aceleração, como na Montezum, que alcança velocidades superiores a 100 km/h. Entretanto, o impacto em si ainda não foi confirmado oficialmente como causa direta da lesão.

Após o episódio, Júlia ficou internada por 57 dias, passou por sete cirurgias e perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo. Além disso, ela apresenta dificuldades para falar e para recordar acontecimentos recentes. A investigação do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Polícia Civil, acompanha o caso, e perícias na atração foram realizadas para esclarecer eventuais fatores de risco ou falhas na segurança.

O parque Hopi Hari afirmou, por meio de nota, que a montanha-russa Montezum é certificada internacionalmente, passa por inspeções periódicas e segue todas as normas de segurança. Ainda assim, especialistas apontam que, em passeios de alta velocidade e força G — uma medida que indica a aceleração de um corpo em relação à gravidade —, há riscos que, mesmo sem contato ou pancadas, podem ocasionar lesões cerebrais ou de coluna, principalmente quando há movimentos rotacionais bruscos, que também podem afetar o pescoço, causando efeitos denominados de efeito chicote.

Segundo fontes do setor de saúde e segurança de parques de diversões, embora o movimento do cérebro dentro do crânio não seja invasivo, ele pode ser suficiente para causar danos dependendo da intensidade, da duração e do tipo de movimento. Ainda não há uma confirmação definitiva de que a atração Montezum tenha falhado em seus procedimentos, e a investigação continua para apurar todos os detalhes do caso, que reacende debates sobre os limites de segurança desses equipamentos.

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O que sabemos?

  • Mulher de 28 anos sofreu uma lesão cerebral após andar na montanha-russa Montezum.
  • Ela ficou 57 dias internada, passou por sete cirurgias, e perdeu movimentos do lado esquerdo do corpo.
  • A lesão ocorreu sem relato de pancada direta na cabeça, por mecanismo de contragolpe.
  • Parque afirma que a atração tem certificação e passa por inspeções.
  • Especialistas alertam que movimentos bruscos podem causar lesões mesmo sem traumatismo direto.

Fontes

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