Saúde

Estudo questiona eficácia de suplementos de cálcio e vitamina D na prevenção de fraturas em idosos

Em apuração ?

Pesquisa revela que suplementos podem ter efeito limitado na manutenção da saúde óssea

Pessoa idosa tomando suplementos de cálcio e vitamina D
Imagem: Revista Galileu

Uma revisão de estudos científicos sugere que o uso de cálcio, vitamina D ou a combinação dos dois tem pouco impacto na redução de fraturas e quedas entre idosos, ajustando o entendimento comum sobre a suplementação.

Uma importante revisão científica publicada no The BMJ, uma das principais revistas internacionais de medicina, aponta que o consumo de suplementos de cálcio, vitamina D ou ambos, pode ter um efeito significativamente menor do que se acreditava na prevenção de fraturas e quedas em idosos. Segundo a análise, que reuniu dados de 69 estudos variados envolvendo mais de 150 mil adultos, os resultados sugerem que esses suplementos oferecem pouco ou nenhum benefício concreto na manutenção da saúde óssea dessa parcela da população.

A pesquisa, conduzida por um grupo de especialistas, avalia principalmente o impacto do cálcio, que é fundamental na formação e manutenção dos ossos, e da vitamina D, responsável pela absorção do cálcio pelo organismo e pelo metabolismo ósseo. Segundo as conclusões, o cálcio foi avaliado em 11 estudos com cerca de 9 mil participantes, sendo que as evidências indicaram uma redução mínima ou inexistente no risco de fraturas, com grau de certeza considerado moderado. Já a vitamina D, analisada em 36 estudos com mais de 92 mil pessoas, foi considerada com alta certeza de que também apresenta pouco ou nenhum efeito na prevenção de fraturas e quedas.

Para quem combina os dois nutrientes, os resultados não diferiram, mesmo após avaliação de 15 estudos envolvendo mais de 51 mil sujeitos. Os autores da revisão ressaltam que, mesmo tendo sido recomendados por décadas como forma de fortalecer ossos, esses suplementos parecem não ser tão eficazes em populações que não apresentam deficiência dos nutrientes ou condições específicas que justifiquem seu uso. Ainda que alguns estudos anteriores tenham apontado benefícios, a maioria das evidências mais robustas atuais indica o contrário.

De acordo com a análise, fatores como idade, sexo, histórico de fraturas e quantidade consumida na alimentação não mudaram substancialmente os resultados, reforçando que as conclusões ainda assim são relevantes. Contudo, os pesquisadores também destacam limitações, como o fato de algumas comparações terem sido feitas com um número relativamente restrito de estudos ou de participantes, o que ainda não permite afirmar categórica e universalmente que esses suplementos não funcionam em qualquer cenário. Pacientes com doenças ósseas específicas ou que fazem uso de medicamentos para osteoporose, por exemplo, podem ter necessidades diferentes e devem consultar um especialista.

Apesar das evidências de eficácia limitada, o uso de cálcio e vitamina D por idosos permanece comum, sobretudo entre aqueles que buscam uma abordagem preventiva contra quedas e fraturas. Ainda não há uma confirmação oficial de mudanças nas recomendações atuais, e o clube da saúde óssea continuará interessado em estudar novas formas de promover a prevenção de fraturas, que é uma preocupação crescente com o envelhecimento populacional.

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O que sabemos?

  • Revisão analisou 69 estudos com 153.902 adultos.
  • Cálcio avaliado em 11 estudos com 9.067 participantes, com pouco efeito na prevenção de fraturas.
  • Vitamina D estudada em 36 estudos com 92.045 participantes, também com pouco efeito.
  • Combinação de cálcio e vitamina D analisada em 15 estudos com 51.126 pessoas, com benefícios limitados.

Fontes

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