Saúde

Estudo alerta para riscos cardíacos ao interromper uso de medicamentos para diabetes

Em apuração ?

Pesquisadores americanos identificam aumento no risco de problemas cardíacos após parar de tomar terapias como Mounjaro e Ozempic

Ilustração representando coração e medicamento
Imagem: Revista Galileu

Um novo estudo da Universidade de Washington em St. Louis aponta que interromper o uso de medicamentos à base de GLP-1, como Mounjaro, pode elevar significantemente o risco de eventos cardiovasculares graves em pacientes com diabetes tipo 2. Os resultados reforçam a importância de manter o tratamento sob supervisão médica.

Um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade de Washington em St. Louis, nos Estados Unidos, trouxe uma atenção importante para os efeitos de interromper o uso de medicamentos à base de agonistas do GLP-1, como Mounjaro e Ozempic, utilizados no tratamento do diabetes tipo 2. Segundo os autores, a suspensão dessas terapias pode estar associada a um aumento considerável no risco de problemas cardíacos graves, como ataque cardíaco, derrame e até morte, especialmente após seis meses de interrupção. A pesquisa, publicada na revista científica BMJ Medicine na segunda-feira (21), acompanhou durante três anos cerca de 333 mil idosos americanos com diabetes, com idade média de 65 anos, sendo que aproximadamente 40% deles tinham recebido prescrição para medicamentos dessa classe.

De acordo com os dados, pacientes que interromperam seu tratamento com essas medicações após seis meses tiveram um risco até 22% maior de sofrer eventos cardiovasculares graves do que aqueles que continuaram usando. A análise indicou que, quanto mais tempo passava sem o uso do medicamento, maior era esse risco. Para quem deixou de tomar por dois anos, a chance de sofrer um infarto, AVC ou falecer era proporcionalmente maior, com aumento de 22% frente aos usuários constantes. O estudo também comparou esses resultados com pacientes que usaram sulfonilureias, outro grupo de medicamentos para diabetes, destacando que quem permaneceu no tratamento com GLP-1 apresentou 18% menos risco de eventos cardíacos graves ao longo do período.

Segundo o epidemiologista e principal autor da pesquisa, Ziyad Al-Aly, o destaque deve ser dado ao fato de que muitos pacientes interrompem o uso desses remédios devido ao custo, efeitos colaterais ou escassez, mas não há atenção suficiente ao impacto que isso causa na saúde cardiovascular. “Quando eles param, não é apenas o peso que volta; há uma reativação de processos inflamatórios, aumento da pressão arterial e do colesterol, o que prejudica o coração,” afirmou em comunicado. Ainda de acordo com o estudo, a retomada do tratamento ajuda a restabelecer parcialmente a proteção, mas a interrupção deixa uma cicatriz na saúde cardiovascular, tornando-se difícil recuperar totalmente os benefícios anteriores.

Os pesquisadores reforçam que a manutenção contínua dessas terapias durante todo o período de tratamento faz diferença na redução de eventos cardíacos, sendo que pessoas que usaram os medicamentos por mais de dois anos tiveram melhorias mais expressivas. Além disso, quem interrompeu por menos de 18 meses não mostrou redução significativa de risco em relação a quem nunca usou. Os autores alertam que períodos prolongados fora do tratamento podem causar perdas preocupantes de proteção ao coração, e que o risco de problemas cardiovasculares aumenta até 22% após dois anos sem medicação. Apesar do impacto, o estudo ainda não foi confirmado oficialmente por outras fontes, e a própria revista Galileu, que divulgou a pesquisa, destaca a necessidade de aguardar confirmações adicionais, pois ainda não há uma posição oficial de órgãos reguladores ou de especialistas do tema.

Assim, a mensagem que fica é a de que, embora esses medicamentos estejam na pauta por seu efeito na perda de peso, seu uso continuado parece ser fundamental para a saúde do coração em pessoas com diabetes tipo 2. A rotina de interromper o tratamento sem acompanhamento adequado pode estar, segundo a pesquisa, aumentando riscos que vão além do controle glicêmico. Ainda não há uma posição definitiva oficial, e o estudo aguarda validação por outros especialistas, mas o alerta permanece: cuidados e acompanhamento médico são essenciais ao usar essas medicações.

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O que sabemos?

  • Interromper o uso de medicamentos como Mounjaro e Ozempic aumenta risco de problemas cardíacos.
  • O estudo acompanhou 333 mil idosos americanos com diabetes tipo 2 ao longo de três anos.
  • Aumento no risco de eventos cardiovasculares graves chega a 22% após dois anos sem o medicamento.

Fontes

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