Paciente com forma rara de esclerose mantém movimentos após tratamento inovador
Tratamento personalizado com medicamento fez o quadro do paciente permanecer estável por um ano
Um paciente com uma mutação genética específica conseguiu manter sua mobilidade e seguir trabalhando um ano após receber um novo tratamento com um medicamento feito sob medida. Ainda não há confirmação oficial de que ele tenha tido melhora definitiva, mas os sinais são promissores.
Segundo fonte da pesquisa, um paciente com uma forma rara de esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença neurológica que afeta a musculatura voluntária, conseguiu manter seus movimentos e seguir suas atividades profissionais aproximadamente um ano após iniciar um tratamento experimental. A intervenção foi inovadora: um medicamento personalizado, criado para atingir uma mutação específica do seu gene, chamado CHCHD10. Os médicos aplicaram esse remédio, identificado como nL-CHCHD-001, em seis injeções ao longo do período, e os testes clínicos posteriores indicaram estabilidade ou uma leve melhora na condição do paciente.
Segundo informações divulgadas, a mutação genetica em questão, denominada p.Arg15Leu, altera uma posição da proteína produzida pelo gene. Essa proteína ajuda na função das mitocôndrias, componentes celulares responsáveis por gerar energia. A hipótese dos pesquisadores, segundo uma fonte, é de que a proteína com essa troca de aminoácidos passa a ser tóxica para os neurônios. Assim, ao diminuir a produção dessa proteína por meio do medicamento, acredita-se que o dano possa ser reduzido. O tratamento age sobre o RNA, uma molécula que funciona como uma receita para a produção da proteína, e ao se encaixar no RNA alterado, o remédio impede que a proteína tóxica seja produzida em excesso.
O primeiro sinal de efeito do tratamento veio do sangue: a proteína neurofilamento, que indica dano neuronal, caiu cerca de 50% e retornou aos níveis normais. Outros exames mostraram que a capacidade de movimentos, avaliada pela escala funcional da doença, subiu de 33 para 36 pontos, em uma escala que vai até 48 e costuma diminuir à medida que a doença progride. Além disso, a capacidade pulmonar do paciente, medida pelo volume de ar que consegue expelir, aumentou de 48% para 55% do previsto. Importante destacar que os testes também mostraram estabilidade nos níveis de cognição e na qualidade de vida do paciente, fatores considerados raros em quadros dessa gravidade.
Embora o avanço seja considerado promissor, especialistas alertam que o tratamento ainda está em fase de pesquisa. Esse caso serve como um exemplo de que é possível criar medicamentos sob medida a partir de alterações genéticas específicas, abrindo caminho para futuras opções mais personalizadas contra doenças neurológicas. Ainda assim, todos os detalhes precisam passar por mais estudos e validações antes de se considerar uma cura ou um método amplamente disponível. A fonte dessa informação é uma reportagem da plataforma G1, que destaca a importância de novos caminhos no tratamento da esclerose rara desse tipo, ainda pouco compreendida pela medicina convencional.
O que sabemos?
- Paciente com mutação rara do gene CHCHD10 manteve estabilidade por um ano após tratamento
- O tratamento foi com um medicamento personalizado chamado nL-CHCHD-001, aplicado em seis doses
- Exames indicaram redução de 50% na proteína neurofilamento, marcadora de dano neuronal
- A pontuação na escala funcional da doença subiu de 33 para 36 pontos
- Capacidade pulmonar do paciente aumentou de 48% para 55% do previsto
Fontes
- G1 imprensa





