Previsões indicam safra recorde de milho no Brasil para 2026/27, mas com desafios na exportação
A produção deve atingir 146,5 milhões de toneladas, impulsionada pela área plantada e produtividade, mas a demanda por exportações apresenta obstáculos.
Estima-se que o Brasil colherá uma safra histórica de milho em 2026/27, com incremento na produção e uso interno, principalmente para etanol. Entretanto, a expectativa de exportação sofreu revisão e pode impactar os estoques finais e os preços do grão.
Segundo análise divulgada pela Hedgepoint Global Markets, a produção brasileira de milho na safra de 2026/27 está projetada para alcançar um recorde de 146,5 milhões de toneladas, um aumento de 3% em relação ao ciclo anterior. Essa estimativa, ainda não oficialmente confirmada por órgãos do governo, aponta que o crescimento da colheita será favorecido por uma ampliação na área plantada, que passará de 22,3 milhões para 22,7 milhões de hectares, além de uma melhora na produtividade média, que deve subir de 6.361 para 6.452 quilos por hectare. Especialistas da área de inteligência de mercado destacam que a recuperação nas médias de produção, especialmente nas regiões de Goiás e Minas Gerais, tem grande peso neste cenário otimista. A expectativa de incremento na demanda também se destaca, com o uso de milho para a produção de etanol previsto para passar de 29 milhões para 34 milhões de toneladas, impulsionado pela entrada de novas usinas em operação ao longo de 2027. Essa expansão na demanda interna ocorre em meio à prorrogação provisória, por 180 dias, da mistura obrigatória de etanol na gasolina em nível de E32, além de possíveis novidades na legislação de incentivo ao biocombustível.
Quanto às exportações, a projeção inicial da Hedgepoint apontava para uma alta de 8%, chegando a 41 milhões de toneladas, mas fontes apontam que a estimativa mais recente foi revisada para 38 milhões de toneladas, devido ao ritmo mais lento nos embarques. Segundo a análise, essa redução está relacionada à concorrência mais agressiva da Argentina, que colheu uma safra recorde e oferece preços mais competitivos, além de uma menor demanda do Irã, maior comprador de milho brasileiro em 2025, com cerca de 9 milhões de toneladas. Os volumes de exportação de milho nos meses de agosto e setembro de 2026, de 5,1 milhões e 5,4 milhões de toneladas respectivamente, também ficaram abaixo dos registros nos mesmos meses de 2025. Ainda conforme o estudo, se essa situação de conflito internacional com o Irã persistir, é provável que os volumes exportados sejam afetados, elevando os estoques finais da safra 2025/26. Ao final de 2026/27, estima-se que os estoques finais de milho fiquem em torno de 12,6 milhões de toneladas, uma diminuição de 14% em relação ao ciclo anterior, enquanto os estoques finais projetados para 2025/26 devem ficar em 14,7 milhões de toneladas, representando um aumento de 20,5% em relação ao ano anterior. A consultoria alerta que esses números finais de estoque e o preço do milho vão depender do desempenho nas exportações e do clima, sendo que um cenário de menor exportação pode pressionar o mercado interno e derrubar os preços do grão nos últimos meses de 2026.
Até o momento, essas projeções ainda não tiveram confirmação oficial de órgãos do governo ou de outras fontes além da análise da Hedgepoint, que destaca a incerteza relacionada às condições climáticas e às dinâmicas do mercado global. O estudo também reforça que as variáveis de competitividade internacional, influenciadas pela geopolítica, terão papel decisivo para os resultados finais. Assim, o que se sabe é que o Brasil pode viver uma safra histórica de milho, mas os desafios na exportação e as turbulências externas podem impactar as cotações e o estoque do grão também neste ciclo — uma questão que preocupa produtores, comerciantes e investidores.
O que sabemos?
- A produção de milho no Brasil deve atingir 146,5 milhões de toneladas na safra 2026/27.
- A área plantada deve aumentar de 22,3 para 22,7 milhões de hectares.
- A produtividade média deve subir de 6.361 para 6.452 kg/ha.
- A demanda por milho para etanol deve crescer de 29 para 34 milhões de toneladas.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





