Hamilton Mourão vota contra fim da escala 6x1 no Senado e chama atenção pela solidão da decisão
Vice-presidente na gestão Bolsonaro foi o único a se opor à alteração na rotina de trabalho dos jogadores de futebol
O Senado aprovou por larga maioria a proposta de acabar com a escala de trabalho 6x1, mas Hamilton Mourão, senador pelo Rio Grande do Sul, foi o único a votar contra. Mourão, que já foi vice-presidente, argumentou que a mudança pode impactar empregos e arrecadação, enquanto seus colegas seguiram a tendência de aprovação.
Nesta quarta-feira, 14 de outubro, o Senado Federal deu um passo importante na alteração da rotina de trabalho de atletas profissionais ao aprovar, por 75 votos favoráveis e apenas 1 contra, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que elimina a escala 6x1. A votação ocorreu em dois turnos e contou com ampla maioria, mas um voto isolado chamou atenção: o do senador Hamilton Mourão, eleito pelo Rio Grande do Sul e atualmente vice-presidente da República na gestão de Jair Bolsonaro. Mourão, que entrou para a reserva do Exército em 2018, foi o único parlamentar a divergir do consenso ao votar contra a medida, que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e garante dois dias de folga remunerada sem diminuição salarial para jogadores de futebol.
Hamilton Mourão, natural de Porto Alegre e com 73 anos, não discursou durante os debates que antecederam a votação. Contudo, concedeu uma entrevista para o portal Intercept na qual explicou sua posição. Segundo ele, sua preocupação é com o impacto econômico da mudança: "Trabalhadores perderão emprego, o Estado vai perder receita, o Estado vai perder arrecadação", afirmou Mourão. Ainda segundo a fonte, o senador já havia manifestado sua oposição na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, antes mesmo do pleito. O voto dele também foi destacado por sua postura de isolamento na votação, sendo o único a se opor ao consenso majoritário dos demais senadores, inclusive colegas que apoiaram a proposta, como Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que votou a favor mesmo sob forte pressão popular para que o atual governo, liderado por Lula, fosse beneficiado com a mudança.
Antes da votação, Mourão reforçou sua decisão, afirmando que seus colegas cederam à pressão e negando que estivesse agindo de forma solitária. Sua posição gerou debate nas redes e entre analistas politicamente atentos, que questionam o papel de figuras de destaque na aprovação de temas que envolvem interesses econômicos e de legislação trabalhista. A proposta agora segue para promulgação e deve entrar em vigor, mudando a rotina de muitos atletas profissionais, especialmente no futebol, onde a escala 6x1 vinha sendo uma característica de rotina bastante discutida.
Portanto, enquanto a maioria do Senado viu na PEC uma oportunidade de melhorar as condições de trabalho e diminuir a jornada de atletas profissionais, Mourão preferiu alertar para possíveis efeitos negativos na arrecadação estatal e no emprego, isolando-se na votação e fomentando o debate sobre os limites do distanciamento político na decisão de temas econômicos. Ainda não há uma manifestação oficial do clube ou entidade ligada ao esporte sobre os efeitos concretos que essa mudança poderá trazer, mas a votação já acendeu a luz para uma discussão mais ampla sobre direitos trabalhistas no esporte brasileiro.
O que sabemos?
- Senado aprovou por 75 a 1 o fim da escala 6x1.
- Hamilton Mourão foi o único a votar contra.
- Mourão é vice-presidente na gestão Bolsonaro e ex-militar.
- A PEC reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e garante folga remunerada.
- Mourão justificou sua posição dizendo que a mudança pode afetar empregos e arrecadação.
Fontes
- BBC News Brasil imprensa
- CNN Brasil imprensa
- G1 imprensa
- UOL Notícias imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa




