Títulos públicos se valorizam nos EUA em meio a dúvidas sobre inteligência artificial
Investidores buscam segurança na dívida soberana apesar de dados de inflação acima do esperado
Na quinta-feira (15), os títulos públicos americanos apresentaram queda nos rendimentos, refletindo a preocupação do mercado com o crescimento impulsionado pela inteligência artificial e os efeitos de uma inflação mais alta que o previsto.
Nesta quinta-feira (15), os títulos públicos de diferentes países, especialmente dos Estados Unidos, valorizarem-se em um movimento que surpreendeu o mercado financeiro. Segundo informações de uma única fonte, o Financial Times, os investidores passaram a buscar mais segurança na dívida soberana, reduzindo o rendimento dos títulos do Tesouro americano de dez anos para 5,04%, o menor nível em três semanas, antes de recomeçar a subir para 5,10%.
Este movimento ocorreu mesmo após a divulgação de dados de inflação nos EUA que ficaram acima do esperado, o que normalmente pressionaria os preços dos títulos para baixo e seus rendimentos para cima. Ainda assim, fontes indicam que a aversão ao risco se sobrepôs à alta de inflação, influenciada por fatores como a venda de ações de fabricantes de chips e preocupações com o endividamento que sustenta a expansão de centros de dados, principal motor do crescimento econômico norte-americano neste período.
Segundo Ales Koutny, chefe de juros internacionais da Vanguard, “tivemos números de inflação significativamente acima das expectativas, mas o movimento de aversão ao risco se sobrepôs a tudo isso”, explicando uma das razões para a queda nos rendimentos. Além do mais, o fenômeno parece estar relacionado a um histórico de forte posicionamento negativo contra a dívida pública, intensificado desde a crise iniciada na guerra do Irã no fim de fevereiro, que marcou uma liquidação global no mercado de títulos.
Na Europa, os títulos alemães de dez anos também tiveram queda de 0,06 ponto percentual, fechando em 3,41%, em uma movimentação motivada por aumento na procura por ativos considerados mais seguros. Especialistas ouvidos pela reportagem explicam que movimentos bruscos em ativos de risco, como ações de tecnologia, causam oscilações desproporcionais no mercado global, levando investidores a zerarem posições vendidas — venda de títulos na expectativa que o preço caia, para recomprar depois mais barato.
Essa onda de cautela no mercado reflete, ainda, o nervosismo acerca da corrida por infraestrutura de centros de dados, um setor que impulsionou a alta dos mercados de ações nos EUA neste ano. Como exemplo, as ações de gigantes do setor de chips, como Western Digital e Sandisk, caíram 5% e 3%, respectivamente, enquanto Nvidia recuou 2,1% e Intel perdeu 4,5%.
Com o aumento da insegurança, investidores também estão atentos a resultados de empresas de inteligência artificial. Ainda não confirmado oficialmente, relatório revela que a Anthropic, laboratório de IA, informou que sua receita no terceiro trimestre cresceu quase 50% em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo US$ 16,8 bilhões. No entanto, essa expansão mais lenta gerou apreensão, pois o valor ficou abaixo das expectativas de alguns investidores. A chefe de estratégia de ações da State Street destacou que, “os investidores estão apreensivos diante de qualquer notícia negativa que possa desencadear uma liquidação”, reforçando o peso que o mercado de tecnologia tem na tomada de decisões atuais.
O que sabemos?
- Títulos públicos americanos de dez anos tiveram queda em seus rendimentos em 15 de novembro de 2023.
- Movimento ocorreu após dados de inflação acima do esperado nos EUA.
- Investidores passaram a buscar maior segurança na dívida soberana devido a preocupações com o crescimento econômico impulsionado por inteligência artificial.
- A valorização dos títulos foi impulsionada pelo aumento na procura por ativos seguros, como os títulos alemães.
- Empresa Anthropic afirmou que sua receita no terceiro trimestre cresceu quase 50%, mas com ritmo mais lento
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa




