El Niño se tornou quase 40% mais intenso em 40 anos, diz estudo
Fenômeno climático natural avança para uma fase histórica neste ano, com possíveis impactos severos no clima global
Um estudo recente revela que os eventos de El Niño ficaram significativamente mais fortes nas últimas quatro décadas, fenômeno que já está em desenvolvimento no Oceano Pacífico em 2026 e pode afetar o clima do planeta com eventos extremos.
Os eventos de El Niño, fenômeno climático natural que aquece as águas superficiais do Oceano Pacífico tropical e influencia o clima mundial, tornaram-se quase 40% mais intensos nos últimos 40 anos, segundo um estudo publicado na revista Science e divulgado em 31 de agosto de 2026. Esta intensificação está vinculada ao aquecimento global, afirmam os autores da pesquisa, liderados pela professora Julia Cole, da Universidade de Miami.
Desde o início de junho de 2026, um El Niño de proporções históricas vem se formando no Oceano Pacífico. De acordo com dados do Serviço Copernicus, as temperaturas médias da superfície dos oceanos atingiram 21,1°C, superando o recorde anterior de 21,09°C registrado em março de 2024. Esse aquecimento favorece a redução da força dos ventos alísios, que normalmente sopram de leste para oeste ao longo da linha do Equador, mas agora passam a levar água quente em direção à América do Sul.
O estudo usou 13 amostras distintas de corais para reconstruir as temperaturas do oceano ao longo dos últimos mil anos. A análise química desses corais, que crescem cerca de um a dois centímetros por ano, permite inferir as variações das águas do Pacífico. Segundo Julia Cole, “não vemos um período no passado em que o El Niño tenha sido tão forte quanto hoje, e mostramos que a intensidade do El Niño muda em paralelo com o aquecimento da temperatura global”.
O El Niño, que ocorre quando a temperatura superficial das águas do Pacífico equatorial aumenta pelo menos 0,5°C por vários meses consecutivos, pode gerar eventos climáticos extremos, como enchentes, tempestades, incêndios florestais e deslizamentos. A classificação de “Super El Niño” é atribuída quando o aquecimento ultrapassa os 2°C, aumentando significativamente as chances de desastres naturais nos próximos meses.
Os autores ressaltam que os El Niños observados após 1850, quando a emissão de gases de efeito estufa pelo homem passou a influenciar o clima, são mais fortes do que qualquer evento ocorrido nos mil anos anteriores, e que a situação atual indica um cenário de riscos climáticos agravados para diversas regiões do planeta. Essa tendência reforça a preocupação global sobre as consequências do aquecimento global no comportamento dos principais sistemas climáticos naturais.
O que sabemos?
- Os eventos de El Niño ficaram quase 40% mais intensos nos últimos 40 anos
- Um 'Super El Niño' está se formando no Oceano Pacífico desde junho de 2026
- Temperatura média da superfície dos oceanos atingiu recorde de 21,1°C em 2026
- O aquecimento global é apontado como principal causa da intensificação do fenômeno
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada
- Superinteressante fonte especializada





