Nova ave do Jurássico descoberta na China desafia conceitos sobre evolução das aves
Fóssil de espécie que não voava e vivia no chão reforça diversidade precoce dos primeiros pássaros
Cientistas revelam fóssil de ave do período Jurássico que tinha cerca de 50 centímetros, pesava pouco mais de 800 gramas e não tinha capacidade de voo. A espécie, batizada de Yuezhuornis yangyuanensis, foi encontrada na China e aponta para uma variedade de modos de vida entre os primeiros pássaros há aproximadamente 150 milhões de anos.
Uma descoberta surpreendente foi publicada nesta quarta-feira (14) na revista "Nature": cientistas identificaram na China uma nova espécie de ave do período Jurássico que, ao contrário do que se imaginava até então, não tinha capacidade de voar. O fóssil da espécie, batizada de Yuezhuornis yangyuanensis, foi encontrado na província de Fujian, no sudeste da China, e revela detalhes que podem alterar a compreensão sobre a evolução das aves primitivas.
Segundo a pesquisa, o animal tinha cerca de 50 centímetros de comprimento e pesava aproximadamente 821 gramas. Uma das características mais marcantes era a proporção de seus membros: os braços eram consideravelmente mais curtos que as pernas, uma configuração incomum em aves primitivas adaptadas ao voo, que geralmente possuem braços maiores para sustentação. Além disso, a cauda do animal era longa, outro indicativo de que sua locomoção não envolvia o voo. Para chegar a essas conclusões, os cientistas compararam as proporções de seu esqueleto com as de 377 espécies atuais de aves, o que aproximou a espécie de animais terrestres, ao contrário das aves voadoras.
Outro detalhe importante é a estrutura do segundo dedo do pé, que apresentava uma grande garra curva e bastante flexível. Essa característica, segundo análises ainda não confirmadas oficialmente, é semelhante à encontrada em dinossauros predadores próximos ao Velociraptor e indica que a ave provavelmente tinha um modo de vida terrestre e predador, talvez agarrando presas ou defendendo-se de ameaças no solo. A presença de um único esqueleto incompleto deixou algumas dúvidas, mas a equipe responsável acredita que essa espécie já vivia há cerca de 150 milhões de anos, no auge do Jurássico.
O estudo, cuja fonte é a própria revista "Nature", também destaca que a descoberta reforça a ideia de que a diversificação dos grupos de aves aconteceu de forma precoce, com diferentes estratégias de adaptação ao ambiente. Outros fósseis encontrados na mesma região indicam que, na época, coexistiam espécies que voavam, outras com capacidade limitada de voo, além de animais de pernas longas associados a áreas alagadas, sugerindo uma grande complexidade na evolução dos primeiros pássaros.
Ainda não há confirmação oficial de que a espécie não tinha capacidade de voar, mas os sinais no esqueleto apontam para uma vida terrestre, diferente do que se imaginava até agora, com uma evolução mais diversa e complexa do que se supunha anteriormente na origem das aves. A descoberta, ainda incerta em alguns aspectos, aponta para um panorama mais dinâmico na história evolutiva desses animais há milhões de anos, ampliando a compreensão do que foi um dos processos mais fascinantes na história da vida no planeta.
O que sabemos?
- Fóssil de ave do Jurássico encontrado na China.
- Espécie tinha cerca de 50 cm e pesava aprox. 821 g.
- Possuía braços bem menores que as pernas, indicando provável incapacidade de voar.
- Segundo dedo do pé com grande garra curva, possivelmente usado para agarrar presas.
- Evidências sugerem que a espécie vivia no chão e era predadora.
Fontes
- G1 imprensa





