Mudanças climáticas e El Niño aceleraram fortalecimento de furacão no México, aponta estudo
Fenômeno natural e aquecimento global contribuíram para intensificação rápida de Polo, que chegou à categoria 5 em 24 horas
Estudo recente revela que as condições ambientais que favoreceram o furacão Polo foram tornadas muito mais prováveis pelo aquecimento global e pelo El Niño, fenômeno climático natural. O evento atingiu rapidamente a categoria máxima antes de diminuir sua força.
Um estudo divulgado por um grupo internacional de cientistas, a World Weather Attribution (WWA), revelou que as mudanças climáticas e o fenômeno El Niño tiveram grande influência na rápida intensificação de um furacão no Oceano Pacífico na região do México. Segundo a análise, o aquecimento global provocado principalmente pela queima de combustíveis fósseis tornou as condições que favoreceram a formação e o fortalecimento do furacão cerca de 23 vezes mais prováveis do que seriam em um clima pré-industrial. Além disso, o fenômeno natural El Niño contribuiu para um aumento de aproximadamente 14 vezes na probabilidade de essas condições acontecerem. A tempestade, identificada como Polo, passou de tempestade tropical a furacão de categoria 5 em apenas 24 horas — um dos processos de intensificação mais rápidos já registrados na região — antes de perder força.
Segundo a fonte, o Polo começou a se formar em 20 de setembro e, dois dias depois, atingiu a classificação máxima da escala de furacões, a de categoria 5. Apesar de sua força máxima se dar no oceano, a tempestade perdeu intensidade antes de atingir a costa mexicana. Em 28 de setembro, atingiu a região da Baixa Califórnia Sul como furacão de categoria 2 e, no dia seguinte, chegou ao estado de Sonora como categoria 1. Ainda assim, provocou enchentes, deslizamentos, quedas de árvores e danos à infraestrutura, além de registrar cinco mortes, sendo que as ações de alerta antecipado e a baixa densidade populacional das áreas prejudicadas ajudaram a limitar o número de vítimas, segundo a pesquisa.
Os cientistas destacaram que o aquecimento das águas do oceano — cuja temperatura na passagem do Polo pelo Pacífico estava cerca de 1,4°C acima do registrado em um clima pré-industrial — foi um fator decisivo na sua rápida intensificação. Além disso, o aumento na velocidade dos ventos, estimado em cerca de 10 km/h devido às mudanças climáticas, também contribuiu para a força do furacão. Outro fator apontado foi o aumento na frequência de chuvas extremas na região, que, de acordo com registros históricos, ficaram aproximadamente seis vezes mais prováveis nesse período, embora os pesquisadores ressaltem que ainda há grandes incertezas nos números.
Apesar de a força do Polo ter sido reduzida antes de atingir o território mexicano, os efeitos do evento exemplificam como as mudanças no clima global estão tornando eventos extremos mais intensos e frequentes. Ainda não há confirmação oficial de que esses fatores tenham sido os únicos responsáveis pela rápida intensificação do furacão, e o próprio estudo afirma que há incertezas na previsão de eventos climáticos como esse. O fenômeno El Niño, que altera o padrão atmosférico e oceânico global, também foi apontado como um agravante, influenciando as condições que favoreceram a tempestade.
O que sabemos?
- O estudo indica que o aquecimento global tornou as condições favoráveis ao furacão aproximadamente 23 vezes mais prováveis.
- O fenômeno El Niño contribuiu para aumentar a probabilidade dessas condições em cerca de 14 vezes.
- O Polo atingiu a categoria 5 em 24 horas, um dos intensificamentos mais rápidos já registrados na região do Pacífico.
- O furacão perdeu força antes de atingir a costa mexicana, chegando como categoria 2 na Baixa Califórnia Sul e categoria 1 em Sonora.
- O evento causou enchentes, deslizamentos, queda de árvores e cinco mortes no México.
Fontes
- G1 imprensa





