Fóssil em Gizé sugere relação antiga com crocodilo de hoje
Estudo aponta conexão entre réptil descoberto na pedra e espécie ainda existente na Ásia
Um fóssil encontrado na construção da Grande Esfinge de Gizé, no Egito, foi reanalisado após quase um século, revelando ligação com uma espécie de crocodiliforme ainda viva na Ásia.
Um fóssil de réptil, descoberto em rochas usadas na construção da famosa Grande Esfinge de Gizé, no Egito, em 2.500 a.C., voltou a ser objeto de estudos científicos quase cem anos após sua primeira descrição. Segundo um artigo publicado no dia 6 na revista Royal Society Open Science, a análise recente sugere que esse espécime pode ser um antigo parente do gavial-indiano, uma espécie de crocodilo que se assemelha a jacarés e crocodilos e vive na Ásia atualmente.
O fóssil ganhou, na nova pesquisa, o nome de Herugavialis cairensis, uma homenagem ao deus egípcio Hórus, que também tem ligação com a figura da Esfinge de Gizé. O material foi inicialmente estudado por paleontólogos alemães no final do século 19 e início do 20. Segundo fontes disponíveis, em 1892, o naturalista Eberhard Fraas analisou o material, mas a descrição oficial do fóssil só ocorreu em 1927, sob a responsabilidade do paleontólogo Lorenz Müller, do Museu de História Natural de Stuttgart, na Alemanha, que o batizou de Tomistoma cairense. Ainda não há registros com detalhes precisos sobre como o fóssil foi descoberto, o que levou a certa incerteza sobre o momento exato da expedição.
A idade estimada do fóssil é de cerca de 48 milhões de anos, situado na época do Eoceno Médio, uma era geológica que ocorreu há milhões de anos. Segundo informações de fontes científicas, o fóssil foi encontrado em rochas que estavam na construção da pirâmide. Ainda não há confirmações oficiais de que o fóssil foi guardado por um período de tempo até ser reanalisado. A hipótese é de que o espécime seja um antepassado distante dos crocodiliformes modernos, o que reforça a ideia de que esses répteis têm uma história evolutiva longa e interessante.
Especialistas destacam que o estudo é importante porque ajuda a entender a evolução dos crocodiliformes e como eles se adaptaram ao longo de milhões de anos. O fato de o fóssil ter sido classificado como Herugavialis cairensis reforça a ligação entre espécies antigas de crocodiliformes e seus parentes atuais, como o gavial-indiano, que ainda vive na Ásia. Ainda não há, porém, um consenso definitivo, e novas pesquisas podem alterar as interpretações atuais.
A descoberta chama atenção para a riqueza do patrimônio paleontológico do Egito, um país conhecido por sua história antiga. De acordo com os autores do estudo, a relação entre o fóssil e o deus Hórus, uma figura de grande importância na mitologia egípcia, é parte da homenagem à cultura local e de uma conexão simbólica com a história da região. A pesquisa ainda está em andamento e aguarda confirmações adicionais, mas revela uma peça importante para o entendimento do passado evolutivo desses répteis.
O que sabemos?
- Fóssil encontrado nas rochas da Esfinge de Gizé.
- Estudo recente relaciona o fóssil ao parente antigo do gavial-indiano.
- Fóssil tem aproximadamente 48 milhões de anos e foi descrito em 1927.
- Nome do fóssil foi alterado para Herugavialis cairensis, homenagem ao deus egípcio Hórus.
Fontes
- UOL Notícias imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa





