Mudanças na população de pinguins na Antártida revelam impacto do aquecimento global
Redução de 63% nos casais de pinguins-de-barbicha alarmam cientistas sobre o ecossistema antártico
Estudo aponta diminuição significativa na espécie de pinguim mais ameaçada na maior colônia mundial, enquanto uma outra espécie apresenta crescimento. A causa provável é o aumento da temperatura oceânica, que afeta a disponibilidade de alimento.
Pesquisadores que monitoram a maior colônia de pinguins do mundo, localizada na ilha vulcânica de Zavodovski, na Antártida, revelaram que uma das espécies mais ameaçadas na região sofreu uma queda de cerca de 63% na população, enquanto outra espécie teve crescimento de mais de 28% entre 2011 e 2016. Essas informações, ainda não confirmadas oficialmente por outras fontes, foram divulgadas após um estudo publicado na revista científica Current Biology, que detalha a análise de imagens capturadas por drones e satélites realizados em 2023 e ao longo de uma década.
Segundo a fonte do estudo, tiveram que desenvolver um algoritmo que processa automaticamente as imagens, diferenciando as duas espécies de pinguins na colônia, uma delas caracterizada por uma coloração azulada ao redor dos ninhos e a outra por dorsos pretos mais escuros, chamados de pinguins-de-barbicha e pinguins-macaroni, respectivamente. O avanço na contagem revelou que, atualmente, os pinguins-macaroni são os mais abundantes na área, ultrapassando os pinguins-de-barbicha, que viraram uma espécie mais ameaçada.
A principal preocupação dos cientistas é com a possível reclassificação dos pinguins-de-barbicha de uma espécie atualmente considerada de 'pouco preocupante' para uma em perigo, segundo os critérios internacionais de extinção animal. A causa apontada para o declínio desses animais é a mudança climática, especialmente o aumento da temperatura das águas oceânicas. Segundo o pesquisador responsável pelo estudo, esse aquecimento tem consequências diretas na disponibilidade de krill, pequenos crustáceos que representam a principal fonte de alimento dos pinguins-de-barbicha na Antártida.
O aumento da temperatura oceânica não só prejudica a alimentação dos pinguins, mas também contribui para o derretimento das geleiras e altera os padrões climáticos da região. Os cientistas explicam que, embora outros fatores, como a erupção vulcânica de 2016 na Ilha Zavodovski e a atividade de frotas pesqueiras, tenham sido considerados, eles não parecem ser responsáveis pelo declínio observado na espécie de pinguim mais ameaçada até o momento.
Para realizar as análises, os pesquisadores utilizaram um drone que sobrevoou cerca de 70% do território da colônia, capturando imagens que foram processadas por um algoritmo especialmente criado para contar os pinguins e distinguir visualmente as duas espécies. Essa tecnologia permitiu uma contagem eficiente de milhares de animais, proporcionando dados mais precisos que os métodos tradicionais. Ainda não há uma confirmação oficial sobre possíveis medidas de preservação ou sobre futuras investigações que possam reforçar esses achados.
O que sabemos?
- A maior colônia de pinguins do mundo está na ilha de Zavodovski, na Antártida.
- Entre 2011 e 2016, população de pinguins-de-barbicha caiu quase 63%, de aproximadamente 542 mil para 201 mil casais.
- Durante o mesmo período, a população de pinguins-macaroni cresceu mais de 28%.
- O estudo sugere que o aquecimento das águas oceânicas é a principal causa do declínio dos pinguins-de-barbicha.
- Dados foram coletados por drones e satélites, com análise automatizada das imagens.
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada





