Estudos sugerem que medicamentos como Ozempic e Mounjaro podem atrasar o envelhecimento, mas ainda não há conclusão oficial
Pesquisas apontam possíveis efeitos anti-idade de tratamentos para diabetes e controle de peso
Pesquisadores investigam se medicamentos usados no tratamento do diabetes e obesidade podem também desacelerar o envelhecimento biológico. Apesar dos sinais promissores, especialistas alertam para a necessidade de mais estudos antes de interpretações definitivas.
Após a apresentação de estudos recentes em uma conferência especializada em Boston, surgem discussões sobre a possibilidade de medicamentos como Ozempic (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida), além de seus efeitos conhecidos na perda de peso e controle da glicose, também contribuírem para retardar o envelhecimento biológico.
Segundo a fonte única, esses estudos investigaram como essas substâncias influenciam os processos internos do organismo relacionados ao envelhecimento. No gás das análises, destacam-se duas pesquisas distintas. A primeira, conduzida pela farmacêutica Eli Lilly, analisou dados de 71 participantes com mais de 50 anos que usaram tirzepatida durante 72 semanas. Utilizando relógios epigenéticos — ferramentas que estimam a idade biológica a partir de marcas químicas nos genes —, os cientistas observaram que, embora os participantes tenham envelhecido aproximadamente 1,38 ano em seu tempo cronológico, a idade biológica avançou entre 0,7 e 1,1 ano, dependendo do método de medição, com alguns órgãos até aparentando estar biologicamente mais jovens do que no início do estudo.
Já uma pesquisa de pré-publicação, realizada pela fabricante do Ozempic e Wegovy, a Novo Nordisk, analisou alterações em proteínas de pessoas que usaram semaglutida. Os resultados indicaram uma redução estimada de dois a quatro anos na idade biológica do coração e de um a quatro anos em órgãos como pulmões, rins, cérebro e pâncreas. Ainda que os dados mostrem um potencial benefício, os cientistas destacam que esses efeitos não podem ser totalmente explicados pela perda de peso ou pelo controle glicêmico, o que reforça a complexidade da questão.
Apesar dos sinais encorajadores, os cientistas ressaltam que esses estudos ainda estão em fase inicial e possuem limitações, como o tamanho do grupo de estudo, o período de análise e a ausência de comparação com grupos que receberam placebo. Ainda assim, as pesquisas despertaram interesse na comunidade científica, que considera relevante explorar se a ação dessas medicações pode impactar também no processo de envelhecimento, que é um fator de risco para inúmeras doenças.
Segundo Danica Chen, professora da Universidade da Califórnia em Berkeley, "o envelhecimento é o maior fator de risco para muitas doenças e, se pudermos combater o próprio envelhecimento, poderemos tratar todos os tipos de doenças associadas a ele". No entanto, a especialista alertou que, por enquanto, ainda não há confirmação oficial de que esses medicamentos tenham esse efeito, e recomenda cautela antes de aderir a qualquer uso com esse objetivo específico.
O que sabemos?
- Pesquisas sugerem que Ozempic e Mounjaro podem desacelerar processos de envelhecimento biológico.
- Estudos analisaram efeitos de tirzepatida e semaglutida usando relógios epigenéticos.
- Resultados indicam menor avanço na idade biológica, com possíveis órgãos mais jovens.
- Ainda não há confirmação oficial ou estudos amplos que comprovem efeito anti-idade.
- Cientistas alertam para limitações e a necessidade de mais pesquisas antes de uso para esse fim.
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada





