Pegadas fossilizadas no Brasil revelam animais mamíferos de maior porte na era dos dinossauros
Descoberta em Santa Catarina amplia entendimento sobre diversidade de mamíferos pré-históricos
Duas trilhas de pegadas fossilizadas encontradas em Turvo, no sul de Santa Catarina, indicam a presença de mamíferos maiores do que os registros anteriores do período Cretáceo. A descoberta foi publicada na revista Journal of South American Earth Sciences e traz novidades sobre a evolução desses animais.
Pesquisadores que estudam a história antiga do Brasil anunciaram uma descoberta que pode mudar a compreensão sobre os mamíferos que viveram ao mesmo tempo que os dinossauros. Segundo informações ainda não confirmadas oficialmente, pegadas fossilizadas foram encontradas em uma pedreira na cidade de Turvo, no sul de Santa Catarina. Essas marcas, segundo o estudo divulgado na revista Journal of South American Earth Sciences, são as maiores pegadas semelhantes às de mamíferos já registradas no período chamado Cretáceo Inferior, uma fase da era dos dinossauros. Os rastros estavam preservados em duas placas de arenito, coletadas na pedreira da empresa AR Mineração, que indicam que esses animais caminhavam por um antigo deserto de dunas, conhecido como o deserto de Botucatu, que existia na região na época.
De acordo com o estudo, as pegadas apresentam quatro dedos com impressões pequenas e arredondadas, sendo que seu formato e disposição sugerem que os animais se deslocavam apoiados pelas quatro patas, em um movimento típico de mamíferos. A análise comparativa levou os pesquisadores a classificarem esses rastros na icnofamília Chelichnopodidae, grupo que reúne marcas com características semelhantes, embora, até o momento, não seja possível apontar com precisão a espécie responsável por cada pegada. O mais surpreendente é que as marcas das pegadas ultrapassam o tamanho de todas as já conhecidas na mesma formação geológica, a Formação Botucatu, que é uma das principais referências para o período.
Segundo os autores do estudo, o fato de esses mamíferos maiores já existirem há cerca de 115 milhões de anos indica que a história evolutiva do grupo inclui formas de tamanho mais expressivo bem antes do que se imaginava. Tradicionalmente, acredita-se que os primeiros mamíferos eram animais pequenos, frequentemente do tamanho de um rato ou um gato doméstico, mas essa descoberta sugere que animais de porte maior já coexistiam com os dinossauros dominando os ambientes terrestres nesse período. Ainda de acordo com o estudo, essa evidência reforça a hipótese de que esses animais de maior tamanho surgiram mais cedo na história evolutiva do que se tinha registros e podem ter sido mais comuns do que se pensava até agora.
As pegadas encontradas não são apenas importantes pelo seu tamanho, mas também por fornecerem informações sobre o comportamento desses animais e como eles se deslocavam pelo ambiente. Como os fósseis de esqueletos de mamíferos do Cretáceo são raros, esses rastros têm um valor científico enorme, auxiliando na reconstrução do cenário antigo e na compreensão da fauna que habitava o que hoje é o sul de Santa Catarina. Ainda que os pesquisadores não tenham conseguido determinar exatamente qual espécie deixou as pegadas, a descoberta amplia o conhecimento sobre a diversidade de formas e tamanhos desses mamíferos, que continuaram a evoluir ao longo da história, mesmo na fase dominada pelos gigantes répteis. O estudo demonstra como rastros fossilizados podem revelar detalhes do cotidiano dos animais antigos, especialmente quando seus esqueletos não foram preservados, contribuindo assim para o avanço na paleontologia brasileira.
O que sabemos?
- Pegadas fossilizadas encontradas em Santa Catarina indicam mamíferos maiores do que os registros anteriores do período Cretáceo.
- As marcas, de mais de 115 milhões de anos, representam as maiores pegadas de mamíferos já documentadas na Formação Botucatu.
- As pegadas apresentam quatro dedos, evidenciando um deslocamento apoiado em todas as patas, possivelmente de um mamífero de porte maior.
- A descoberta sugere que animais de maior porte já existiam mais cedo na história evolutiva, mesmo durante a era dos dinossauros.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada





