Estudos apontam que semaglutida, medicamento para obesidade, pode reduzir o desejo por álcool
Pesquisas de fase 2 sugerem potencial do medicamento no tratamento do alcoolismo, mas ainda sem confirmação definitiva
Duas pesquisas de fase 2 indicam que a semaglutida, usada em tratamentos para obesidade e diabetes, pode ajudar a diminuir o desejo por álcool e reduzir o consumo. No entanto, os resultados ainda são preliminares, e novas investigações são necessárias para comprovar sua eficácia.
Recentemente, estudos clínicos exploraram uma possibilidade inesperada: o uso da semaglutida, medicamento conhecido por tratar obesidade e diabetes tipo 2, como potencial auxiliar no combate ao alcoolismo. Segundo informações de uma fonte especializada, duas pesquisas de fase 2 analisaram os efeitos do remédio, administrando doses diárias de 3 mg nas primeiras quatro semanas e 7 mg nas seguintes, em grupos de adultos com transtorno por uso de álcool. Os estudos envolveram participantes distribuídos aleatoriamente entre grupos que receberam o medicamento ou um placebo, e duraram cerca de nove semanas.
Os resultados apresentaram aspectos promissores, embora não conclusivos. Segundo os pesquisadores, houve uma redução no desejo de beber relatado pelos participantes em situações cotidianas, além de uma diminuição nas consequências negativas relacionadas ao consumo de álcool. Além disso, aqueles que receberam a semaglutida também relataram uma redução nos dias de uso de cannabis, entre os que consumiam ambas as substâncias. Os estudos não encontraram diferenças estatisticamente significativas na média de bebidas consumidas por dia ou no número total de dias em que os participantes beberam, mas observaram uma tendência de redução dos dias de consumo excessivo ao longo do tempo entre os que usaram o medicamento.
Um dos estudos, divulgado na revista JAMA Psychiatry, acompanhou 48 adultos que não buscavam tratamento para o alcoolismo, e constatou que, ao final das nove semanas, os participantes que receberam a semaglutida consumiram menos álcool na fase de testes em laboratório. Além disso, eles apresentaram uma diminuição no desejo semanal pelo consumo de álcool e na quantidade ingerida por ocasião de consumo. Ainda assim, o estudo não conseguiu estabelecer diferenças significativas na quantidade total de bebidas consumidas por dia ou na frequência de consumo. Os autores reforçam que esses dados representam esforços iniciais e que ensaios maiores serão necessários para avaliar a real potencial do composto.
A semaglutida pertence a uma classe de medicamentos conhecidos como agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao GLP-1 (Glucagon tipo 1). Esses remédios atuam em mecanismos que regulam a glicose, o apetite e a saciedade, e há hipóteses de que possam influenciar também o sistema de recompensa cerebral, que regula o interesse por substâncias como álcool e drogas. Segundo estudos anteriores, a atuação nesse sistema poderia reduzir o interesse pelo álcool, embora os mecanismos ainda não estejam confirmados solidamente. A pesquisa ainda está em fase exploratória, e os resultados atuais não garantem que o medicamento vá se tornar uma opção oficial para o tratamento do alcoolismo, tampouco que seja eficaz para todos os pacientes.
De acordo com fontes da área científica, é importante destacar que essas investigações ainda estão em estágio preliminar. Pesquisadores pedem cautela, pois as evidências até agora não são suficientes para recomendar o uso da semaglutida como tratamento para dependência de álcool de forma definitiva. Ainda não há uma confirmação oficial de que medicamentos dessa classe possam se tornar uma alternativa segura e eficaz, e a aplicação clínica ainda exige estudos mais amplos e profundos para compreender melhor os mecanismos envolvidos e determinar os possíveis riscos.
O que sabemos?
- Duas pesquisas de fase 2 estudaram a semaglutida para o tratamento do alcoolismo.
- Os estudos indicaram redução no desejo por álcool e diminuição em dias de consumo excessivo, mas resultados não são conclusivos.
- A dose utilizada foi de 3 mg por dia nas primeiras semanas, aumentando para 7 mg nas seguintes.
- Pesquisadores afirmam que mais estudos são necessários para confirmar a eficácia do medicamento.
- A semaglutida é usada atualmente para tratar obesidade e diabetes tipo 2, e atua regulando glicose, apetite e saciedade.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





