Pesquisa brasileira aponta possível novo tratamento contra a doença de Chagas
Fármaco estudado contra malária mostra promessa no combate ao parasita causador da enfermidade
Estudo realizado pelo CNPEM, em Campinas, indica que um medicamento testado contra a malária pode ajudar a tratar a doença de Chagas, que afeta milhões de brasileiros.
Uma pesquisa desenvolvida pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), localizado em Campinas, no interior de São Paulo, revelou uma descoberta que pode representar um avanço na luta contra a doença de Chagas. Segundo informações divulgadas pelos pesquisadores, um novo fármaco, já estudado internacionalmente para tratar a malária, demonstrou resultados promissores em testes laboratoriais contra o parasita Trypanosoma cruzi, responsável pela enfermidade.
De acordo com a fonte, a pesquisa começou com a hipótese de que o medicamento atuaria numa proteína presente no parasita. O estudo, liderado pelo pesquisador Artur Torres Cordeiro, utilizou o acelerador de partículas Sirius, uma espécie de microscópio gigante que permite a visualização de detalhes invisíveis às técnicas convencionais. Com esse equipamento, os cientistas conseguiram revelar a estrutura tridimensional da proteína e mapear como a droga interage com ela. Segundo o pesquisador, essa interação é crucial, pois o bloqueio da proteína impede que o parasita cresça, se reproduza ou sobreviva.
Embora os testes estejam ainda na fase pré-clínica — ou seja, sem testes em humanos —, o estudo aponta uma possibilidade de acelerar o desenvolvimento de um tratamento, já que o medicamento já vem sendo estudado para combater a malária. Isso poderia permitir, segundo a fonte, uma etapa de aprovação mais rápida por se tratar de um reposicionamento de fármaco, uma estratégia que utiliza dados pré-existentes de remédios aprovados para outras doenças.
Atualmente, o tratamento da doença de Chagas é feito com os medicamentos benznidazol e nifurtimox, que apresentam efeitos colaterais e eficácia limitada principalmente na fase crônica da enfermidade. Segundo a fonte, estima-se que cerca de 4,1 milhões de brasileiros convivam com a doença, que pode ser assintomática na maior parte do tempo ou apresentar sintomas como febre, dores corporais, além de causar alterações no sistema digestivo e no coração.
O estudo da equipe do CNPEM ainda está em estágio inicial, mas as perspectivas de um novo medicamento fazem a comunidade científica ficar atenta às futuras etapas de testes e validações do remédio. Ainda não há confirmação oficial sobre a possível aprovação ou uso clínico do fármaco no Brasil ou em outros países, e o clube não se pronunciou oficialmente sobre possíveis aplicações futuras.
O que sabemos?
- Pesquisadores do CNPEM desenvolveram um estudo com um fármaco contra malária que mostrou resultados promissores contra a doença de Chagas.
- A pesquisa utilizou o acelerador de partículas Sirius para visualizar a interação do remédio com uma proteína do parasita Trypanosoma cruzi.
- O estudo ainda está na fase pré-clínica, sem testes em humanos.
- A possível vantagem é aproveitar o conhecimento prévio do medicamento, já estudado contra a malária, para acelerar sua aprovação.
- A doença de Chagas afeta aproximadamente 4,1 milhões de brasileiros e tem tratamento limitado e efeitos colaterais.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





