Estudo revela que o crescimento do cabelo não ocorre de dentro para fora, mas é puxado por uma estrutura externa
Pesquisa inova ao mostrar que força que movimenta o fio vem de uma rede de células contraintualmente ativadas no folículo
Cientistas franceses e britânicos descobriram que o cabelo é puxado para cima por uma rede de células que se move em espiral, desafiando a ideia tradicional de crescimento de dentro para fora.
Um estudo publicado na revista Nature Communications trouxe uma novidade que pode mudar a forma como entendemos o crescimento capilar. Segundo a pesquisa, o cabelo humano não cresce de dentro para fora como muitos imaginam, mas é puxado para cima por uma estrutura envolvente chamada bainha radicular externa (ORS, na sigla em inglês). Essa descoberta, feita por pesquisadores da L'Oréal Research and Innovation na França e da Queen Mary University de Londres, vira o conceito clássico de crescimento do fio de cabeça de cabeça.
De acordo com o estudo, o que empurra o cabelo para cima não é uma multiplicação de células na base do folículo, como se pensa tradicionalmente, mas uma rede de células que estão conectadas por filamentos de actina — uma fibra que também faz os músculos se contrair. Diferente de uma parede de tijolos, essa rede forma um movimento espiral, semelhante a um parafuso, que atua como um motor, puxando o fio de cabelo para fora do folículo. Os pesquisadores usaram uma microscopia avançada em imagens de time lapse 3D, que permite enxergar o movimento das células ao longo do tempo, e descobriram que essas células da bainha moviam-se para baixo, em espiral, em direção à base do bulbo capilar, gerando a força necessária para puxar o cabelo para cima.
Para entender melhor essa dinâmica, os cientistas removeram cirurgicamente a base do bulbo, o que teoricamente deve interromper o crescimento, pois a matriz de células que se divide foi retirada. Surpreendentemente, o cabelo continuou saindo do folículo por mais de 24 horas, mesmo sem a matriz ativa. Essa constatação reforça a hipótese de que a força que movimenta o cabelo não depende somente da produção de novas células, mas de uma atividade mecânica gerada por essa rede de células. Além disso, a equipe aplicou um inibidor da divisão celular em folículos íntegros e confirmou que o movimento ascendente do cabelo persistiu, fortalecendo a teoria de que forças físicas desempenham papel crucial nesse processo.
Segundo o primeiro autor do estudo, Nicolas Tissot, a investigação envolveu técnicas de microscopia que capturam o movimento real das células ao longo do tempo, não apenas imagens estáticas. Ele explicou que essa abordagem foi essencial para entender como as forças mecânicas internas sustentam o crescimento do cabelo de forma ativa, ao contrário do que se acreditava até então. Ainda que essa descoberta seja recente, ela pode abrir caminhos para novas abordagens em tratamentos capilares e entender melhor patologias como a calvície.
O estudo ainda não teve confirmação oficial por outras fontes além da equipe de pesquisa da L'Oréal e da universidade londrina, e a comunidade científica aguarda mais validações para confirmar essas conclusões inovadoras sobre o funcionamento do crescimento capilar.
O que sabemos?
- O cabelo é puxado para cima por uma rede de células que se move em espiral.
- Essa rede se conecta por filamentos de actina, semelhante a fibras musculares.
- O movimento dessas células ocorre em direção à base do folículo, gerando força de tração.
- Remover a matriz celular não interrompe o movimento do cabelo por mais de 24 horas, indicando força mecânica externa.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





