Estudo revela por que cães de grande porte vivem menos que os pequenos
Pesquisa aponta ligação entre marcas no DNA e expectativa de vida dos cães
Pesquisadores analisaram mudanças no DNA de quase 900 cães, descobrindo que marcas específicas no material genético influenciam na longevidade dos cães de grande porte.
Uma pesquisa inédita publicada na revista Science trouxe uma nova compreensão sobre a expectativa de vida dos cães, especialmente aqueles de grande porte. Segundo os autores do estudo, coordenado pelo professor Noah Snyder-Mackler, da Universidade do Estado do Arizona, as diferenças na longevidade desses animais podem estar ligadas às marcas no DNA que aparecem à medida que eles envelhecem.
De acordo com o estudo, cães de porte grande tendem a viver significativamente menos do que os de porte menor, uma diferença que até então era atribuída a fatores ambientais ou cuidados, mas que agora passa a ter uma explicação genética. A equipe analisou amostras de DNA de quase 900 cães, incluindo raças específicas e vira-latas, ao longo de quatro anos, coletando dados anuais.
O foco principal da pesquisa foi mapear as mudanças na regulação do genoma, um processo chamado metilação do DNA. Essa metilação envolve a adição de grupos chamados grupos metila às regiões do DNA, que podem atuar como um interruptor, silenciando ou ativando determinados genes. Quanto mais hipermetiladas as regiões, maior é a probabilidade de que esses genes fiquem desativados, o que, segundo os pesquisadores, influencia na velocidade do envelhecimento do animal.
O levantamento permitiu aos cientistas criar um 'relógio epigenético', capaz de prever a idade biológica dos cães com uma margem de erro média de apenas 0,82 ano. Ainda assim, fatores como o tamanho, o sexo e até o cruzamento dos cães influenciam nessa previsão, com cães de porte grande e do sexo masculino apresentando uma idade epigenética mais avançada que a idade cronológica. Essas descobertas reforçam a hipótese de que a expectativa de vida mais curta dos cães grandes está relacionada às marcas em seu DNA, que aceleram o envelhecimento biológico.
Embora os detalhes da pesquisa ainda não tenham sido completamente confirmados oficialmente por outras fontes, o estudo reforça a importância do entendimento genético na longevidade dos animais de estimação e pode abrir caminhos para futuras intervenções que promovam uma vida mais longa e saudável para os cães de grande porte. A pesquisa ainda não se pronunciou sobre possíveis aplicações práticas desses achados, mas a expectativa é de que avanços nessa área possam influenciar o cuidado e a saúde animal no futuro.
O que sabemos?
- Cães de grande porte vivem menos que os menores.
- Estudo analisou cerca de 900 cães ao longo de quatro anos.
- Mudanças na regulação do DNA, como a metilação, influenciam o envelhecimento.
- Criaram um relógio epigenético com margem de erro de 0,82 ano na previsão de idade.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





