Ciência

Investigação aponta proximidade de eleição com debate sobre o futuro da pesquisa científica no Brasil

Em apuração ?

Candidatos à presidência de 2026 ainda não se posicionaram oficialmente, enquanto setor acadêmico busca mais recursos e apoio

Ilustração de uma universidade brasileira e símbolos de ciência e tecnologia
Imagem: Superinteressante

A análise das propostas para ciência, tecnologia e saúde na próxima eleição revela desafios históricos e atuais do sistema de pesquisa brasileira, com destaque para a expansão de universidades federais e dificuldades de acesso.

Segundo fontes ligadas ao setor acadêmico, o Brasil continua enfrentando longos caminhos na consolidação de uma política de incentivo à pesquisa científica. O momento político que se aproxima das eleições de 2026 tem trazido à tona debates sobre as propostas dos candidatos para fortalecer pesquisa, universidades e pós-graduação, ainda sem uma definição oficial até o momento.

O Instituto Questão de Ciência (IQC), em parceria com a revista Super e a VEJA SAÚDE, anunciou que fará uma análise detalhada das propostas em ciência, tecnologia e saúde apresentadas pelos presidenciáveis. Essas avaliações serão publicadas até 4 de outubro — dia do próximo pleito — e visam informar o eleitor sobre o que os candidatos propõem para o setor, que é fundamental para o desenvolvimento do país. Ainda não há, porém, uma posição oficial de nenhuma candidatura nesse sentido, e especialistas alertam para a importância de acompanhar o que será anunciado nos próximos dias.

Para entender o cenário atual, vale revisitar a história da pesquisa científica brasileira. Segundo informações de fontes históricas, em 1951 foi criado o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com o objetivo de organizar e fomentar a pesquisa em âmbito nacional. Antes disso, a ciência tinha espaço nas universidades, museus e institutos de saúde, mas faltava uma estrutura federal coordenada. Essa iniciativa surgiu em um contexto pós-2ª Guerra Mundial, quando governos de várias partes do mundo passaram a enxergar na ciência uma ferramenta essencial de soberania e desenvolvimento, influenciando também a criação de instituições como a Capes, voltada à formação de recursos humanos.

Durante a Ditadura Militar, o sistema de pesquisa ganhou novos instrumentos de financiamento, com o Parecer Sucupira de 1965 estabelecendo bases para os mestrados e doutorados, a Fundação de Apoio à Pesquisa (Finep) surgiu em 1967, e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), em 1969, foi criado para apoiar projetos e infraestrutura. Contudo, esse processo conviveu com a repressão à comunidade acadêmica, e nomes ligados à pesquisa foram cassados durante esse período, como explica uma fonte especializada.

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Nos governos do presidente Lula, entre 2003 e 2010, o Brasil passou por uma grande expansão no ensino superior federal. Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), o número de universidades federais cresceu de 45 para 59, e o de campi de 148 para 274. As matrículas na graduação também aumentaram de cerca de 528 mil para 764 mil — um crescimento de aproximadamente 45%. Além disso, o orçamento dessas instituições mais que dobrou nesse período, mesmo descontada a inflação, auxiliando na ampliação de vagas e na interiorização das universidades por programas como o Reuni, criado em 2007. Apesar desses avanços, o cenário ainda apresenta desafios importantes, como a necessidade de mais investimentos em infraestrutura, suporte estudantil e fortalecimento da pesquisa de qualidade.

Também há avanços no cenário internacional: em 2008, o Brasil atingiu a 13ª colocação em número de artigos científicos registrados na base Web of Science, ultrapassando países como Holanda e Rússia, embora essa posição seja medida pelo volume de publicações e não necessariamente pela qualidade. Esforços vêm sendo feitos para incluir mais revistas brasileiras na base de dados, contribuindo para essa melhora, mas questões como a necessidade de maior alinhamento entre abertura de vagas, contratação de professores, laboratórios e suporte ao estudante permanecem pendentes. Segundo dados recentes, apenas 24% dos brasileiros na faixa de 25 a 34 anos têm concluído o ensino superior, enquanto a média entre países da OCDE é de 49%, revelando um grande desafio de acesso à educação superior no país, ainda que os números apontem para uma história de crescimento e estímulo à pesquisa ao longo de diversas décadas.

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O que sabemos?

  • Candidatos à presidência de 2026 ainda não se posicionaram oficialmente sobre propostas em ciência, tecnologia e saúde.
  • IQC, Super e VEJA SAÚDE farão análise das propostas até 4 de outubro.
  • Em 1951, foi criado o CNPq para apoiar a pesquisa científica no Brasil.
  • Durante a Ditadura Militar, instituições de pesquisa receberam novos incentivos, mas também enfrentaram repressão.
  • Nos governos Lula, expansão das universidades federais aumentou vagas e orçamentos.

Fontes

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