Ciência

Fóssil chinês revela que voo das aves teve origem dupla

Em apuração ?

Descoberta reforça teoria de evolução convergente entre dinossauros emplumados e aves atuais

Fóssil de male pequeno com penas preservadas na China, mostrando estrutura aérea sugerida.
Imagem: Folha de S.Paulo

Um fóssil de cerca de 120 milhões de anos, encontrado na China, revela que algumas linhagens de dinossauros com penas também desenvolveram mecanismos semelhantes às aves para voar, indicando uma evolução independente dessa habilidade.

Um estudo publicado na revista científica Nature Communications nesta terça-feira trouxe à tona detalhes surpreendentes sobre a origem do voo em aves e seus ancestrais. Segundo os pesquisadores Andrea Cau, do Museu Paleontológico e Centro Herpetológico Ophis, na Itália, e Qiang Ji, da Universidade Geológica de Hebei, na China, a descoberta de um fóssil de um pequeno dinossauro emplumado na região de Liaoning, na China, indica que a capacidade de voar não foi uma invenção exclusiva dos pássaros, mas também ocorreu de forma independente em grupos de dinossauros não pertencentes ao mesmo ramo. O fóssil, que data de aproximadamente 120 milhões de anos, representa a espécie Norellraptor barsboldi, um membro do grupo Microraptorinae, conhecido por seus fósseis com penas bem preservadas e por uma anatomia que lembra um 'biplano', ou seja, com duas estruturas de asa. Com menos de 60 centímetros, o animal tinha penas assimétricas em suas patas traseiras, uma característica que sugere capacidade de voo autopropelido, isto é, que os animais podiam decolar por conta própria e não apenas planar. Essa peculiaridade aumenta o entendimento de que diferentes linhagens de dinossauros estruturaram suas penas de modo a promover o voo, de forma convergente, ou seja, soluções evolutivas similares surgidas de maneiras distintas. O aspecto mais intrigante do achado é a possibilidade de uma anatomia de 'biplano', já que o animal aparenta possuir dois pares de asas, uma nas patas dianteiras e outra nas patas traseiras. Ainda que essa hipótese gere debates entre paleontólogos, a presença de penas assimétricas nas patas traseiras reforça a ideia de que esses dinossauros talvez tenham sido capazes de decolagem e voo sustentado, embora em uma eficiência provavelmente menor do que a das aves que conhecemos hoje. A descoberta reforça a teoria de que o voo evoluiu pelo menos duas vezes na história da vida, não sendo uma exclusividade das aves. Segundo o artigo, o esqueleto fóssil, quase completo, foi descoberto nas formações rochosas do oeste de Liaoning, uma região bastante conhecida por seu rico patrimônio fóssil de dinossauros com penas. Ainda não há confirmações adicionais de outras fontes, e o clube responsável pelo estudo ainda não se pronunciou oficialmente sobre o tema, aguardando validação de outros pesquisadores para consolidar as hipóteses levantadas. A divergência entre especialistas sobre a funcionalidade exata das penas traseiras ainda não foi resolvida, mas a evidência sugere que esses dinossauros estavam experimentando formas de voo mais próximas às modernas aves do que se acreditava anteriormente.
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O que sabemos?

  • Fóssil de cerca de 120 milhões de anos foi descoberto na China.
  • Espécie identificada é Norellraptor barsboldi, pertencente ao grupo Microraptorinae.
  • Possui penas assimétricas nas patas traseiras, indicando potencial para voo autopropelido.
  • Anatomia do fóssil sugere possível configuração de 'biplano' com duas asas.
  • A descoberta reforça a ideia de que o voo evoluiu de forma convergente em diferentes grupos de dinossauros.

Fontes

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