Ciência

Estudo revela alta concentração de microplásticos no interior das casas

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Pesquisas na Holanda e na China indicam que o ambiente doméstico está mais contaminado do que se imaginava

Partículas de microplástico suspensas no ar ao entrar pela janela de uma casa
Imagem: Folha de S.Paulo

Microplásticos estão presentes na poeira doméstica, com estudos demonstrando que ambientes internos podem ter concentrações até oito vezes maiores do que o externo. Os principais tipos encontrados são PET e PS, advindos de tecidos sintéticos e produtos de higiene.

Pesquisas recentes indicam que as nossas casas podem estar repletas de microplásticos, uma preocupação que aumenta o nível de poluição que respiramos diariamente. Segundo estudo feito na Holanda e divulgado em agosto, 75% das 105 casas analisadas continham pelo menos cinco tipos diferentes de microplásticos, incluindo os comumente usados na fabricação de plásticos PET e poliestireno (PS). Essas partículas minúsculas, invisíveis a olho nu, podem ser encontradas na poeira doméstica, especialmente quando uma luz entra pela janela e revela um movimento de partículas suspensas no ar. O professor Décio Semensatto, do departamento de Ciências Ambientais da Universidade Federal de São Paulo, explica que esses microplásticos chegam às residências de diversas formas, como pelos tecidos sintéticos, produtos de higiene pessoal e beleza, que frequentemente contêm essas fibras em suas composições.

Além disso, o contato com o ar externo também contribui para essa contaminação. Segundo ele, a troca de ar das casas com o ambiente externo faz com que microfibras sejam transportadas para dentro do espaço doméstico. “Na abrasão mecânica, como vestir roupas de tecido sintético ou fazer a lavagem delas, esses fiapos são liberados”, afirma o especialista. Dessa forma, o ciclo de deposição e redistribuição de partículas na poeira se mantém, principalmente em ambientes fechados. Uma pesquisa na cidade chinesa de Wenzhou mostrou que a concentração de microplásticos suspensos no ar nesses locais é oito vezes maior do que fora deles, especialmente em áreas urbanas. Essa evidência reforça o alerta de que a qualidade do ar interno pode ser uma parte importante do problema, embora ainda não haja consenso completo sobre os níveis exatos ou os efeitos na saúde.

Os microplásticos podem permanecer por longos períodos na poeira, sendo inalados ou entrando em contato com a pele, o que causa preocupações quanto ao impacto na saúde. Ainda não há estudos conclusivos que confirmem os riscos à saúde, mas especialistas alertam para a necessidade de maior atenção à qualidade do ar dentro de casa, especialmente em ambientes com muitos tecidos sintéticos. A descoberta de que esses materiais estão cada vez mais presentes em nossos espaços mais íntimos reforça a necessidade de buscar alternativas mais sustentáveis e de higiene doméstica, além de uma possível revisão na composição de produtos de uso cotidiano. Assim, embora esse tema ainda exija estudos mais aprofundados, fica claro que as nossas casas podem ser uma fonte significativa de microplásticos, que entram por diferentes vias e podem ficar acumulados na poeira que respiramos ao longo do dia.

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O que sabemos?

  • 75% das casas analisadas na Holanda continham cinco ou mais tipos de microplásticos
  • Plásticos PET e PS foram encontrados em quase todas as amostras
  • Microfibras chegam às casas por tecidos sintéticos, produtos de higiene e troca de ar
  • A concentração de microplásticos no ar interno é oito vezes maior do que no externo, segundo estudo na China

Fontes

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