Ciência

Estudo levanta possibilidade de influência do campo magnético no envelhecimento celular

Em apuração ?

Pesquisas com moscas podem abrir caminho para entender doenças neurodegenerativas como Parkinson

Ilustração estilizada de células com foco em mitocôndrias e campo magnético
Imagem: CNN Brasil

Cientistas do Reino Unido observaram que a redução do campo magnético natural da Terra altera o funcionamento das mitocôndrias em moscas-das-frutas, o que pode influenciar processos de envelhecimento. Ainda não há confirmação de aplicação direta em humanos.

Pesquisadores da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, divulgaram um estudo que sugere uma possível relação entre o campo magnético natural que envolve a Terra e o funcionamento celular, especialmente no que diz respeito ao envelhecimento e às doenças neurodegenerativas como Parkinson. Segundo a pesquisa, publicada na revista científica Aging, uma diminuição significativa do campo magnético de proteção do planeta foi capaz de alterar o funcionamento das mitocôndrias — 'usinas de energia' das células — em moscas-das-frutas.

Para o experimento, os cientistas utilizaram um dispositivo que simulava um ambiente com campo magnético quase nulo. Dois grupos de moscas foram expostos a esse cenário: um com moscas saudáveis e outro com mutações associadas ao Parkinson. A surpresa veio ao observar que, enquanto as moscas saudáveis não apresentaram mudanças na longevidade, as que tinham a mutação para Parkinson tiveram um aumento na sobrevivência ao ficarem expostas ao ambiente de campo magnético reduzido. Segundo a fonte, essa resposta indica que a condição biológica do organismo pode influenciar como ele reage a variações do campo magnético.

O estudo destacou também que a alteração na intensidade do campo magnético impactou a produção de energia pelas mitocôndrias, além de modificar processos de estresse oxidativo. Essa condição, que se caracteriza pelo desequilíbrio entre radicais livres e antioxidantes, tende a acelerar o envelhecimento celular e pode estar relacionada ao desenvolvimento de doenças como Parkinson. Ainda não fica claro, porém, se essas descobertas podem ser traduzidas para os seres humanos, uma vez que o experimento foi feito apenas com moscas. A equipe de pesquisadores reforça que, apesar do avanço, há muitas etapas antes de possíveis aplicações clínicas na medicina.

Especialistas ressaltam que o impacto do campo magnético no corpo humano ainda é uma incógnita e que, por enquanto, as descobertas servem mais de base para futuras pesquisas do que como uma saída ou solução prática. A própria equipe advertiu que a resposta das moscas não deve ser vista como um indicativo direto de que a redução do campo magnético terrestre pode retardar o envelhecimento humano ou tratar doenças neurodegenerativas. Portanto, de acordo com os autores, o assunto ainda necessita de estudos mais aprofundados para esclarecer os efeitos reais dessa interação no organismo humano, que possui uma biologia muito mais complexa que a dos insetos utilizados na pesquisa.

Publicidade

O que sabemos?

  • Cientistas observaram impacto do campo magnético em mitocôndrias de moscas-das-frutas.
  • Redução do campo magnético pode alterar produção de energia celular.
  • Efeito foi mais evidente em moscas com mutação genética relacionada ao Parkinson.
  • Estudos ainda não confirmaram aplicação em humanos.

Fontes

Publicidade