Ciência

Descoberta de nova espécie de rã-de-vidro no Cerrado chama atenção de pesquisadores

Informações checadas ?

Biólogos identificam uma espécie inédita de anfíbio com características únicas na região de Luziânia, Goiás

Imagem: Agência Brasil

Pesquisadores revelam a descrição de Vitreorana micaelae, uma pequena rã quase transparente encontrada em matas de galeria no Cerrado goiano, após anos de estudo integrado.

Um grupo de pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Universidade de Brasília (UnB) anunciou a descoberta de uma nova espécie de rã-de-vidro, batizada de Vitreorana micaelae, localizada na região de Luziânia, em Goiás. Segundo informações divulgadas por uma fonte vinculada ao estudo, essa espécie, que apresenta um corpo esverdeado e quase transparente, foi encontrada nas matas de galeria que margeiam pequenos riachos afluentes do rio Corumbá, no bioma Cerrado.

De acordo com o pesquisador Reuber Brandão, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza da Fundação Grupo Boticário, a descoberta é resultado de um trabalho colaborativo que envolveu análises de diferentes áreas: morfologia, genética molecular, bioacústica e trabalho de campo. Segundo ele, após a localização dos exemplares, foi necessário gravar seus cantos e fazer comparações com outros grupos de rãs-de-vidro, que normalmente habitam a Mata Atlântica e a Amazônia, regiões distintas do Cerrado. Ainda segundo Brandão, a análise revelou que a espécie apresenta materiais moleculares diferentes de outras já conhecidas, além de características físicas exclusivas, como diferenças sutis na forma da íris, pigmentação dorsal e na região próxima à cloaca, um orifício envolvido na excreção e na reprodução.

Sobre o comportamento da nova rã, ainda há poucas certezas, mas sabe-se que ela canta no alto das árvores e só durante chuvas intensas, o que dificulta sua observação. Essa particularidade, combinada ao tamanho diminuto de pouco mais de dois centímetros e à dispersão dos indivíduos, dificultou o nome popular entre as comunidades locais, que normalmente dão nomes às espécies com base em seus cantos mais evidentes, como sapo-martelo ou sapo-cachorro. Os pesquisadores também entenderam melhor seu processo reprodutivo: a espécie coloca os ovos em folhas de árvores altas, que ficam grudados na superfície. O macho cuida dos ovos e, após a eclosão, os girinos caem no riacho e se enterram no sedimento, comportamento semelhante ao de outras espécies do mesmo grupo Vitreorana.

Apesar da confirmação provisória da descoberta, a informação ainda não foi amplamente divulgada por outros órgãos de pesquisa, e o estudo foi divulgado apenas por uma fonte relacionada à Agência Brasil. Ainda não há confirmação oficial de que essa espécie, que ainda não recebeu um nome popular definitivo, seja a segunda do Cerrado, após uma primeira identificação feita em 2013, quando indivíduos foram erroneamente classificados como Vitreorana eurygnatha. O fato é que a descoberta reforça a importância do bioma Cerrado e mostra como a biodiversidade dessa região ainda guarda muitas espécies inéditas, principalmente de anfíbios que habitam áreas pouco acessíveis e pouco estudadas.

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O que sabemos?

  • Vitreorana micaelae é uma nova espécie de rã-de-vidro descoberta em Goiás
  • A espécie foi encontrada em matas de galeria no bioma Cerrado, na região de Luziânia
  • A pesquisa foi feita por um esforço integrado de universidades brasileiras
  • A espécie apresenta características físicas e genéticas únicas, diferentes de outras conhecidas
  • Ainda não há confirmação oficial sobre a classificação oficial e nome popular da espécie

Fontes

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