Ciência

Ameba de fogo quebra recorde de resistência a altas temperaturas nos EUA

Em apuração ?

Organismo unicelular suporta reprodução a temperaturas até então consideradas inexploráveis para células com núcleo

Imagem ilustrativa de uma ameba em ambiente aquático quente
Imagem: Revista Galileu

Uma ameba encontrada em águas quentes na Califórnia estabeleceu uma nova marca de resistência térmica entre organismos com células complexas, indicando possíveis avanços na compreensão da adaptação celular ao calor extremo.

Segundo uma publicação recente na revista Cell, uma pequena ameba conhecida como Incendiamoeba cascadensis, popularmente apelidada de "ameba de fogo", conseguiu reproduzir-se a temperaturas de até 63°C, um valor que supera o limite anteriormente considerado para organismos com células mais complexas, os chamados eucariotos. Além de reproduzir-se, a espécie permanece ativa, deslocando-se em ambientes com até 64°C, o que demonstra não apenas tolerância ao calor extremo, mas também atividade biológica sob essas condições, fato que chamou atenção dos pesquisadores.

A descoberta foi feita na Califórnia, no Parque Nacional Vulcânico Lassen, onde amostras de águas geotérmicas — ambientes naturalmente aquecidos por atividade vulcânica — foram coletadas entre 2023 e 2025. Segundo a fonte, a equipe conseguiu isolar a espécie em 14 dos 20 locais visitados. Os cientistas analisaram o genoma da ameba, investigando como seus genes se comportam em diferentes temperaturas, e identificaram a presença de genes ligados à proteção do DNA, à percepção do ambiente e à manutenção das estruturas das proteínas, que precisam manter uma forma específica para funcionarem adequadamente. Tais mecanismos parecem reduzir os efeitos nocivos do calor, como a desnaturação de proteínas, que costuma comprometer a atividade celular.

O que torna essa descoberta particularmente relevante é seu impacto na compreensão de células eucarióticas, que possuem núcleo e estruturas internas delimitadas por membranas. Diferentemente das bactérias e arqueas, que são organismos procariontes e toleram altas temperaturas com maior facilidade, os eucariotos acreditava-se incapazes de suportar calor extremo dessa magnitude. “Em parte, os estudos sobre eucariotos podem ter sido limitados por suposições sobre a estabilidade das membranas”, afirmou uma estudante de pós-graduação envolvida na pesquisa, destacando que a descoberta pode expandir o entendimento sobre os limites de vida nesse tipo de célula.

Ainda não há confirmações de outros estudos ou fontes independentes que ratifiquem completamente esses resultados, e o próprio clube ou instituição responsável pela pesquisa ainda não se pronunciou oficialmente. A notícia, ainda que promissora, provoca questionamentos sobre até onde a vida pode se adaptar a ambientes extremos, revelando que organismos mais complexos podem, sim, suportar condições que antes pareciam inviáveis. Portanto, esse avanço pode abrir novas fronteiras na biologia, na busca por formas de vida em locais remotos ou até na pesquisa de aplicações biotecnológicas em alta temperatura.

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O que sabemos?

  • A ameba Incendiamoeba cascadensis reproduz a 63°C.
  • Ela permanece ativa em temperaturas até 64°C.
  • Foi encontrada na Califórnia, em águas geotérmicas do Parque Nacional Lassen.
  • Pesquisadores analisaram seu genoma e identificaram genes que protegem contra o calor extremo.

Fontes

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