Ciência

Descoberta de cozinha romana de 2 mil anos revela detalhes de vida antiga na Espanha

Em apuração ?

Estrutura preservada com cerâmicas importadas mostra mistura de tradições locais e romanas em Sasamón

Imagem digital da estrutura de uma antiga cozinha romana com utensílios de cerâmica e fundações de pedra
Imagem: Aventuras na História

Uma antiga cozinha romana foi descoberta na Espanha, trazendo à tona aspectos de como os romanos e povos nativos coexistiam na região há mais de dois mil anos.

Pesquisadores anunciaram a descoberta de uma estrutura de cozinha romana de aproximadamente 2.000 anos no sítio arqueológico de La Era, localizado em Sasamón, na província de Burgos, Espanha. Segundo informações da universidade responsável pelo estudo, a investigação foi conduzida por um grupo de arqueólogos da Universidade de Salamanca e do Instituto de Arqueologia de Mérida, ligados ao Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC).

O achado faz parte de uma campanha de escavações iniciada em 2016, marcada por uma década de trabalhos na região que já revelou diversas peças de valor histórico, incluindo sítios da Idade do Ferro e possíveis estruturas romanas. Ainda de acordo com a fonte, o local onde a cozinha foi encontrada fica aos pés da Igreja de Santa María la Real, recentemente cedido à prefeitura para apoiar pesquisas científicas, embora o espaço tenha sofrido interferências e saques ao longo dos séculos.

A estrutura revela detalhes impressionantes: fundações de pedra sustentavam paredes de adobe, que possivelmente receberam revestimento de gesso em algum momento. O piso era feito de argila compactada sobre pequenas pedras, criando uma superfície resistente e adequada ao uso cotidiano na época. No interior, um degrau delimitava uma área elevada onde funcionava um forno, com poucos elementos preservados. Ao redor, uma camada espessa de cinzas e carvão indica o local de acendimento do fogo, além de recipientes utilizados na preparação e armazenamento de alimentos.

O acervo inclui grandes recipientes de armazenamento conhecidos como dolia, além de jarras, tigelas, almofarizes, panelas e pateras — utensílios típicos do período romano. Algumas peças de cerâmica foram identificadas como originárias da Itália, incluindo a cerâmica vermelha pompeiana e fragmentos de um clibano, um tipo de forno portátil usado para assar pães. A análise do material sugere que os moradores locais ainda preservavam tradições culinárias mais antigas enquanto adotavam hábitos romanos, uma evidência da romanização da região durante os reinados de Augusto e Tibério.

Recentes análises apontam que a ocupação do sítio em La Era foi sobreposta por uma fase anterior, relacionada ao povoado da Idade do Ferro chamado Turmogo, e que o assentamento antigo pode indicar uma continuação na participação das comunidades nativas na formação do espaço urbano. Além disso, foram descobertas cerca de dez sepulturas do século XIX, fora do cemitério oficial da igreja, com sinais de sepultamentos rápidos sob preceitos cristãos. Ainda não há confirmação se esse outro período também faz parte do mesmo sítio ou se trata de uma ocupação distinta, e o clube responsável pelo estudo ainda não se pronunciou oficialmente sobre esse ponto.

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O que sabemos?

  • A estrutura é uma cozinha romana de 2.000 anos com fundações de pedra, paredes de adobe e piso de argila.
  • Recipientes de cerâmica, incluindo importados da Itália, foram encontrados no local.
  • O sítio fica na região de Sasamón, Burgos, e foi escavado por pesquisadores da Universidade de Salamanca e do CSIC.
  • A cozinha data do período entre os reinados de Augusto e Tibério, quando a região estava se romanizando.
  • Foram registradas também sepulturas do século XIX sob o espaço do sítio, indicando ocupações posteriores

Fontes

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