Jovem de 27 anos decide fazer testamento e revela motivações inesperadas
A prática, mais comum entre idosos, também vem ganhando espaço entre os mais jovens em diferentes países
Apesar de parecer uma atitude típica de pessoas mais velhas, jovens de 20 a 30 anos estão começando a fazer seus testamentos. Uma pesquisa no Reino Unido revela que essa tendência vem crescendo, mesmo entre quem acredita ter pouco patrimônio.
Apesar de não ser uma rotina para a maioria das pessoas jovens, decidir fazer um testamento parece estar ganhando espaço entre quem ainda está na casa dos 20 anos, como revela uma fonte especializada. Segundo informações divulgadas pela BBC News Brasil, uma jovem de 27 anos, que trabalha com pesquisa psicológica em uma universidade de Londres, decidiu elaborar seu testamento, uma decisão considerada incomum entre seus pares. Erin Atkinson, que mudou de Bristol para Londres há quatro anos, afirmou que tomou essa decisão aos poucos, após refletir sobre o que faria com seus bens no futuro. "No começo, pareceu bastante surreal, porque você associa testamentos a pessoas mais velhas", contou ela. Apesar de não querer revelar seu salário, ela não se considera particularmente rica, morando atualmente de aluguel e avaliando seus bens, como um carro avaliado em cerca de R$ 48 mil, que ficará para sua irmã, e uma joia de ouro que retornará ao seu parceiro. Além disso, Erin destinou uma parte de seu dinheiro a uma causa que considera importante: uma instituição de caridade voltada à endometriose, uma doença que ela acredita ter um impacto significativo na vida de muitas mulheres. O ato de registrar sua vontade de forma oficial foi empoderador, segundo ela, e simboliza sua preocupação com o futuro. Ainda segundo a mesma fonte, o levantamento do National Wills Report de 2025 mostrou que no Reino Unido, apenas 20% de jovens entre 18 e 24 anos possuem um testamento, porcentagem que sobe para 33% entre os de 22 a 34 anos. A maioria dos jovens acredita que a elaboração do documento é algo distante ou desnecessário, por acharem que possuem pouco patrimônio para dividir. No Brasil, porém, a legislação permite que qualquer pessoa maior de 16 anos, em plena capacidade física e mental, faça seu testamento, que deve ser registrado em cartório na presença de duas testemunhas. A prática, contudo, ainda é pouco comum entre os jovens. Uma das justificativas é a percepção de que o procedimento é caro ou complicado, embora existam opções gratuitas ou de baixo custo, como advogados voluntários ou serviços online. Sophia Maslin, fundadora de um site que permite a criação de testamentos pela internet, explicou que muitas pessoas acreditam que só devem fazer o documento se tiverem bens acumulados, o que é um equívoco. Para ela, qualquer tipo de poupança, investimentos, pensões, contas em redes sociais ou desejos específicos para o funeral já justificam a elaboração de um testamento. A história de Erin ganhou força quando ela passou a ver histórias de pessoas próximas que enfrentaram dificuldades por não terem deixado seus bens organizados. Um exemplo citado foi o de uma amiga que comprou uma casa. Além disso, o impacto do testamento de uma avó na família de Erin também a motivou a seguir o mesmo caminho, sobretudo ao entender a complexidade de resolver esses assuntos após a morte de um parente sem um documento prévio. Ainda que o tema não seja amplamente discutido entre os jovens, especialistas dizem que o ato de planejar o futuro de forma responsável é fundamental, independentemente do patrimônio. E enquanto alguns ainda não consideram urgente, a tendência é que essa prática venha a se consolidar também no Brasil, à medida que mais pessoas percebam as vantagens de organizar seus bens e desejos, evitando conflitos e facilitando o processo para os entes queridos.
O que sabemos?
- Jovem de 27 anos fez testamento em Londres mesmo não sendo considerada rica.
- No Reino Unido, apenas 20% de jovens de 18 a 24 anos têm testamento.
- Na faixa de 22 a 34 anos, esse percentual sobe para 33%.
- No Brasil, pessoas maiores de 16 anos podem fazer testamento desde que em plena capacidade mental e física.
Fontes
- BBC News Brasil imprensa





