Brasil

INSS registra recorde de negativas de benefícios em 20 anos, enquanto fila de pedidos é oficialmente zerada

Em apuração ?

Aumento nas negativas em 2026 contrasta com a redução da fila de pedidos de aposentadoria e auxílios sociais

Gráfico ilustrando aumento de negativas do INSS em 2026
Imagem: Folha de S.Paulo

Apesar do fim da fila de espera, maior porcentagem de negativas na história preocupa especialistas. Governo afirma que todas as decisões seguem critérios legais e mecanismos de controle.

Segundo informações divulgadas pelo INSS, o Instituto Nacional do Seguro Social, a quantidade de pedidos de benefícios previdenciários negados atingiu seu maior índice em duas décadas durante o primeiro semestre de 2026. Essa alta, observada em um período em que a fila de requerimentos foi oficialmente zerada, levanta questionamentos sobre a qualidade das análises realizadas pelo órgão. A notícia, confirmada por uma fonte oficial, reforça a complexidade do atual cenário previdenciário brasileiro, mesmo após uma aclamada redução na espera dos segurados.

O governo e representantes do INSS comemoraram a diminuição da fila, que passou de 3,1 milhões de pedidos para zero em aproximadamente seis meses. Segundo a presidente do INSS, Ana Cristina Viana Silveira, essa conquista foi resultado do esforço de modernização do órgão. Contudo, ainda que a fila tenha sido considerada zerada, dados da própria instituição indicam que 235 mil pedidos continuam aguardando resposta há mais de 45 dias, prazo máximo estipulado por lei. A justificativa do INSS, conforme explicou a fonte, é que o número de pendências atualmente está abaixo do volume de novos requerimentos, e por isso a fila foi oficialmente considerada encerrada.

Porém, ao analisar os números absolutos, observa-se que em 2026 cerca de 51% dos benefícios pedidos foram indeferidos, ou seja, negados, totalizando aproximadamente 5,2 milhões de segurados. Para o mesmo período em 2025, esse percentual foi de 41%, com cerca de 3 milhões de negativas. Esses números refletem um aumento expressivo na taxa de indeferimentos, especialmente nos benefícios por incapacidade, que tiveram uma aprovação de apenas 46% no primeiro semestre, indicando que mais da metade dos pedidos foi negada. Em 2025, essa taxa tinha sido de 59%, mas ainda assim era maior do que em anos anteriores, e a tendência de crescimento de negativas é preocupante, segundo especialistas que acompanham o setor.

A análise histórica revela que, em toda a sua gestão, Dilma Rousseff foi a presidente que mais facilitou a concessão de benefícios, com 38% de negativas em 2014, seguida por Lula, com 40% em 2006, e Temer, com 43% em 2018. A atual administração, no entanto, lidera esse ranking negativo, apresentando recordes de negativas, o que, segundo observadores, pode indicar uma mudança na abordagem do órgão ao interpretar os critérios legais. O Ministério da Previdência e o próprio INSS defendem a legalidade das decisões e afirmam que o processo segue mecanismos internos de auditoria, que garantem a correção das análises e o direito de recurso ao segurado em até 30 dias. Ainda assim, a discrepância entre a redução da fila e o aumento das negativas suscita dúvidas sobre o rigor e a transparência no andamento dos processos previdenciários.

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O que sabemos?

  • A fila de pedidos de benefícios foi oficialmente zerada pelo INSS em seis meses.
  • De janeiro a julho de 2026, a porcentagem de negativas chegou a 51%.
  • Em 2025, essa taxa foi de 41%, e no ano passado, 42%.
  • Nos benefícios por incapacidade, 54% dos pedidos foram negados no primeiro semestre de 2026.

Fontes

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