Brasil

Espécies brasileiras de fauna ameaçadas entram na lista de risco de extinção

Em apuração ?

Arara-azul-grande e tucuxi representam o aumento na quantidade de espécies em perigo

Arara-azul e boto-tucuxi, espécies brasileiras ameaçadas de extinção
Imagem: Folha de S.Paulo

Segundo levantamento do Ministério do Meio Ambiente, mais de 15 mil espécies da fauna brasileira estão sob risco de extinção, incluindo símbolos nacionais como a arara-azul e o boto-tucuxi.

De acordo com dados divulgados ao final de junho pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, a lista de espécies brasileiras ameaçadas de extinção cresceu, incluindo animais icônicos da biodiversidade do país. Entre os novos registros, destacam-se a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) e o boto-tucuxi (Sotalia fluviatilis), ambos classificados como ameaçados — a primeira como vulnerável e o segundo incluindo agora sua espécie na lista de risco.

O levantamento analisou cerca de 15.300 espécies da fauna brasileira, sendo que 1.280 delas estão sob alguma categoria de ameaça, números bastante semelhantes aos da edição anterior, de 2022, que apontou aproximadamente 1.249 espécies em perigo. Essa estabilidade numérica, porém, não diminui a preocupação dos especialistas, já que a quantidade de animais que entram e saem da lista é parecida, indicando que as ameaças continuam recentes e constantes.

Segundo Anna Carolina Lins, analista de conservação do WWF-Brasil, o destaque para espécies recém-descobertas, como o gato-palheiro-pampeano, reforça a urgência de ações concretas. Ela explica que essa espécie já figura na avaliação como criticamente ameaçada logo na primeira análise, um sinal claro de que muitas espécies não estão tendo o suporte necessário para sobreviver. O principal fator de ameaça permanece sendo o desmatamento, mas outros perigos incluem impactos de grandes projetos, poluição, caça ilegal, tráfico de fauna e atropelamentos. Ainda, ela defende que medidas de conservação sejam acompanhadas de fiscalização mais rigorosa e de políticas que enfrentem as causas estruturais da perda da biodiversidade.

O caso da arara-azul-grande evidencia essa combinação de problemas. Classificada como vulnerável, ela sofreu um impacto significativo devido aos incêndios no Pantanal, uma região onde se concentra uma das maiores populações do animal, segundo Luís Fábio Silveira, curador da coleção de aves do Museu de Zoologia da USP. Ele afirma que "as maiores populações da espécie, que estão no Pantanal, sofreram enormemente com os seguidos incêndios no bioma".

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Outro exemplo é a araponga-do-nordeste (Procnias averano), uma ave típica da mata atlântica destacada pelo seu canto metálico e que também está na lista de espécies ameaçadas, em perigo de extinção. Silveira explica que esse pássaro habita regiões de matas secas no interior do Brasil, que continuam sendo destruídas por atividades humanas, agravando o quadro de risco.

Além das aves, a situação de várias espécies de mamíferos marinhos e peixes também piorou na lista do Ministério. Animais como o tucuxi, o boto-cinza (Sotalia guianensis), o boto-de-lahille (Tursiops gephyreus) e o peixe-boi-marinho (Trichechus manatus) tiveram sua classificação de risco elevada, reafirmando o impacto crescente das ações humanas nas regiões costeiras e marítimas brasileiras. Ainda não há confirmação de uma fonte adicional que confirme a extensão total dessas mudanças, e o próprio ministério ainda não se pronunciou oficialmente sobre os detalhes do levantamento.

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O que sabemos?

  • Mais de 15 mil espécies da fauna brasileira analisadas
  • 1.280 espécies estão sob risco de extinção
  • Arara-azul-grande e tucuxi entram para lista de ameaçados
  • Impactos do desmatamento, incêndios e poluição são causas principais

Fontes

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