Tecnologia de edição genética mira na conservação do lobo-guará no Brasil
Expedições e laboratórios nos EUA exploram recursos para proteger uma espécie ameaçada
Cientistas brasileiros e internacionais utilizam avanços em genética para entender e preservar o lobo-guará, espécie vulnerável no Brasil, combinando ações de campo e tecnologia de ponta.
Pesquisadores brasileiros estão na linha de frente de uma iniciativa que une tecnologia avançada e conservação ambiental, buscando garantir a sobrevivência do lobo-guará, um dos animais mais ameaçados da fauna brasileira. Segundo uma fonte que acompanha o projeto, desde o interior de São Paulo, equipes percorrem áreas de vegetação remanescente, monitorando e capturando animais para realizar estudos genéticos essenciais para compreender como a espécie se adapta às mudanças ambientais provocadas pela ação humana.
De acordo com essa mesma fonte, em uma dessas expedições, uma armadilha capturou um lobo-guará, que foi sedado para procedimentos que incluem coleta de sangue, pelos, análise de dentes e pele, além da instalação de uma coleira monitorada por satélite. Esses materiais são enviados a laboratórios especializados — tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos — para estudos que avaliam a saúde, toxicologia e adaptação do animal às pressões ambientais.
O objetivo, explica a fonte, é entender melhor como a espécie reage às transformações do habitat, muitas delas causadas por atividades humanas e pela perda de áreas naturais. Atualmente, a estimativa é que em São José do Rio Pardo, uma das regiões prioritárias para o projeto, restem apenas cerca de 30 exemplares do lobo-guará, um número que eleva o risco de cruzamentos entre animais de parentesco próximo e diminui a diversidade genética, fator crucial para a saúde da população.
Além do trabalho de campo, uma importante participação vem de uma companhia americana que vem ganhando destaque por suas iniciativas inovadoras. Ainda segundo a fonte, a agroempresa Colossal utiliza ferramentas de edição de genes — como a tecnologia CRISPR — para realizar projetos de “desextinção”, que envolvem a recriação de animais extintos ou ameaçados, incluindo espécies como o mamute-lanoso e até o ‘lobo-terrível’. Estas ferramentas possibilitam a edição precisa de genes, potencialmente ajudando na conservação de espécies atuais ao ampliar o entendimento sobre seus genomas e possíveis estratégias de preservação.
Ainda sem confirmação oficial, a conexão entre essas operações de alta tecnologia e a preservação do lobo-guará no Brasil mostra uma tendência de unir biotecnologia com esforços de conservação, embora ainda haja muitas dúvidas éticas e fisiológicas acerca do uso de edição genética em animais selvagens. De qualquer forma, os pesquisadores brasileiros destacam que o avanço técnico pode ser uma ferramenta eficaz, especialmente em regiões onde o número de exemplares da espécie é extremamente baixo, como acontece em São José do Rio Pardo.
O que sabemos?
- Pesquisadores capturaram um lobo-guará na região de São José do Rio Pardo e realizaram procedimentos de coleta de material genético.
- Apenas cerca de 30 lobos-guará estariam na área estudada, aumentando os riscos de endogamia.
- Laboratórios brasileiros e norte-americanos analisam as amostras para entender as adaptações aos efeitos das mudanças ambientais.
- Empresa americana Colossal usa edição genética (CRISPR) em projetos de 'desextinção' de espécies ameaçadas e extintas desconhecidas.
Fontes
- G1 imprensa





