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A infiltração da fé na política e o risco de retrocessos no Brasil

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Especialista alerta para o aumento do ardor religioso no cenário político nacional

Ilustração de símbolos religiosos e políticos em conflito
Imagem: Folha de S.Paulo

O crescimento da influência religiosa na política preocupa sociólogos e estudiosos, que alertam para riscos de retrocesso democrático. Comparações internacionais evidenciam fragilidades na separação entre Estado e religião.

Segundo um sociólogo, autor de obras sobre história do pensamento racial, o aumento do fervor religioso no cenário político global traz reflexões importantes para o Brasil. Ele destaca que, em várias partes do mundo, a infiltração da fé na política tem resultado em conflitos e retrocessos na consolidação de Estados laicos, onde a separação entre religião e governo é essencial para garantir direitos e tolerância.

De acordo com a mesma fonte, ao longo de 36 anos na França, uma guerra entre católicos e huguenotes matou cerca de 3 milhões de pessoas, o equivalente a um quinto da população do país na época. Essa historicamente marcada luta demonstra como conflitos religiosos podem se transformar em violência de grande escala. O Edito de Nantes, de 1598, que buscou encerrar essas disputas, foi um marco na tentativa de implantar princípios de tolerância religiosa no Ocidente. Ainda assim, a secularização total do Estado só se consolidou no século 19, com as revoluções americana e francesa, que trouxeram a ideia de laicidade ao centro da governança.

Segundo a fonte, esses bens intelectuais e sociais — a tolerância e a separação entre Igreja e Estado — continuam frágeis, como mostram exemplos atuais de lugares como Cabul, Teerã, Jerusalém e Washington, onde a religião ainda exerce forte influência na política e na vida civil. No Brasil, há um receio de que esse cenário de polarização e radicalismo religioso possa avançar, empurrando o país para um caminho semelhante ao de outras nações que enfrentaram sérias crises de convivência social.

Para o sociólogo, o crescimento de movimentos religiosos mais extremados e o envolvimento deles na política representam um risco de que o país deixe de lado valores democráticos fundamentais. “O dia do voto deveria ser nosso, dos brasileiros, mas, na percepção de muitos, parece que os porcos — expressão que ele usou para se referir a parte da política — já ganharam essa batalha. A influência de figuras como lulistas e bolsonaristas, que brincam com temas religiosos no vale tudo da política, é preocupante”, afirma. Ele ainda reforça que a história demonstra a importância de limites claros entre fé e política, sob pena de retrocedermos a tempos de intolerância e violência.

A discussão, ainda sem confirmação oficial, reforça a necessidade de vigilância contra a infiltração de interesses religiosos no Estado. Afinal, a fragilidade das democracias e a invasão de ideologias radicais, quando misturadas à fé, podem colocar em risco direitos conquistados ao longo de séculos, como a liberdade de culto e a laicidade. Especialistas alertam que o Brasil precisa fortalecer seus valores republicanos e manter a separação entre Igreja e Estado para evitar deslizes históricos que possam comprometer a convivência civil e a democracia.

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O que sabemos?

  • A influência crescente da religião na política global facilita conflitos e retrocessos
  • Histórico de violência religiosas na França evidencia riscos de radicalização
  • A secularização avançou no Brasil, mas fragilidades permanecem
  • Temores de que o Brasil possa seguir caminho de polarização religiosa

Fontes

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