Cientista questiona uso de IA na descoberta de enzimas por empresa de tecnologia
Especialista da Universidade de Copenhague revela troca de informações com pesquisa sobre enzimas e preocupação com uso de dados na treinabilidade de modelos de IA
Um biológo computacional da Dinamarca afirma que usou os mesmos modelos de IA da Anthropic para estudar enzimas há três anos, levantando dúvidas sobre a origem dos resultados apresentados pela gigante da inteligência artificial.
Na semana passada, a Anthropic, uma das principais empresas de tecnologia no setor de inteligência artificial, revelou ter utilizado seus agentes de IA para descobrir novas enzimas com potencial para avanços na biotecnologia. Contudo, uma manifestação de um cientista da Universidade de Copenhague trouxe à tona questões importantes sobre a origem dessas descobertas. Segundo o biólogo Mario Rodríguez Mestre, ele e seus colegas vêm estudando há quatro anos as enzimas e as moléculas relacionadas a elas, conhecidas como ARTs pela Anthropic. Ainda não há publicação oficial dessas pesquisas, mas Mestre afirma que, nos últimos três anos, tem utilizado regularmente os modelos de IA da mesma empresa para tarefas como escrita de códigos e elaboração de manuscritos, compartilhando descobertas relevantes com os desenvolvedores da IA.
De acordo com Mestre, sua preocupação maior é a possibilidade de que os resultados obtidos por meio dessas interações tenham sido utilizados posteriormente para treinar versões futuras dos modelos de IA da Anthropic. Ele declara: “Minha pergunta mais importante não é se as ARTs já eram conhecidas; elas eram”, mas sim se a IA chegou às resultados por raciocínio próprio ou se foi conduzida por informações do seu trabalho. Ainda segundo o cientista, há a suspeita de que dados de suas pesquisas possam ter sido utilizados para treinar os sistemas futuros do gigante da tecnologia, o que levanta debates sobre ética e privacidade na área de inteligência artificial.
As declarações de Mestre, ainda não oficializadas em publicação científica, revelam um conflito potencial na relação entre pesquisa acadêmica e desenvolvimento de IA, especialmente em temas sensíveis como a biotecnologia. A Anthropic ainda não se pronunciou publicamente sobre o assunto, e é importante destacar que essas informações continuam sendo objeto de investigação, sem confirmação oficial. Por ora, a situação provoca uma reflexão sobre o uso de dados de terceiros e o impacto na credibilidade de avanços científicos anunciados por grandes corporações de tecnologia.
Na comunidade científica, o tema reforça a necessidade de transparência nos processos e na utilização de dados de pesquisa para treinar os algoritmos de inteligência artificial, sobretudo quando esses resultados podem influenciar setores estratégicos, como o biológico e o farmacêutico. A história ainda está se desenrolando, e a expectativa é por mais esclarecimentos oficiais que possam confirmar ou esclarecer as suspeitas levantadas por Mestre.
O que sabemos?
- Cientista da Universidade de Copenhague afirma que usava modelos de IA da Anthropic para estudar enzimas há três anos.
- Antropic revelou que usou IA para descobrir enzimas promissoras na semana passada.
- Mestre suspeita que dados de suas pesquisas tenham sido usados para treinar futuras versões da IA da Anthropic.
- Ainda não há publicação oficial confirmando a relação entre as pesquisas de Mestre e os resultados divulgados pela Anthropic.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa
- UOL Notícias imprensa





