Tecnologia

BNDES avalia participação em projeto de refinaria de terras raras em Minas Gerais

Em apuração ?

Banco de desenvolvimento pode se tornar sócio de empreendimento ligado à Lynas Rare Earths e Meteoric Resources

Ilustração de uma planta de refino de terras raras com fundo de Minas Gerais
Imagem: CNN Brasil

O BNDES estuda entrar como sócio em uma futura planta de refino de terras raras em Minas Gerais, região que concentra vários projetos no setor.

Segundo fontes ouvidas pela CNN, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está praticamente certo de participar de um projeto de refinaria de terras raras na região de Minas Gerais. A iniciativa envolve a Lynas Rare Earths, mineradora australiana, e a Meteoric Resources, ambas ligadas ao desenvolvimento de uma planta de refino e separação de óxidos de terras raras — elementos essenciais para a fabricação de itens tecnológicos, como ímãs permanentes. Ainda não há confirmação oficial sobre o formato do apoio: o banco pode optar por um financiamento ou por uma participação acionária direta no empreendimento, através da sua braço de participações, a BNDESPar.

Segundo o que foi divulgado por fontes ligadas às conversas, o interesse do banco de desenvolvimento é grande, e a participação acionária permitiria ao Brasil ter "skin in the game", expressão que indica interesse direto e envolvimento financeiro no sucesso do projeto. A expectativa é de que, nesse modelo, o BNDES passaria a dividir riscos e lucros com os investidores privados, embora detalhes como o valor do aporte e o instrumento de investimento ainda não tenham sido definidos oficialmente.

A proposta de participação ganhou respaldo público na quinta-feira (1º), durante uma teleconferência entre representantes da Lynas e investidores. Nessa ocasião, o vice-presidente de Estratégia e Relações com Investidores da mineradora australiana destacou o interesse do banco de desenvolvimento brasileiro, ressaltando que a presença do BNDES reforçaria o compromisso do Brasil com o projeto. Ainda de acordo com ele, o banco demonstra vontade de contribuir para que o país tenha uma participação relevante na cadeia produtiva de terras raras, especialmente na etapa de refino, que é mais complexa e estratégica.

As conversas também indicam que essa planta de refino, atualmente estudada para a região de Poços de Caldas, pode beneficiar-se de uma potencial ampliação. Segundo fontes, a instalação poderia atuar como um hub de processamento, recebendo matéria-prima de outros projetos de terras raras na mesma região. Essa estratégia visa expandir a capacidade de processamento e consolidar uma infraestrutura integrada, capaz de atender uma demanda regional e ainda fortalecer a presença brasileira na cadeia global de produtos feitos com terras raras, que atualmente é dominada pela China.

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O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, confirmando ao CNN Brasil as negociações, afirmou que a instalação da planta de separação de óxidos de terras raras na região de Poços de Caldas poderia se tornar uma das maiores do setor fora da China, destacando a importância estratégica do empreendimento para o Brasil. A etapa de separação ocorre após a extração do minério e é responsável por transformar o material bruto em óxidos específicos de elementos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, utilizados na fabricação de ímãs para diversas aplicações tecnológicas.

Apesar do avanço nas negociações, a mineradora Lynas ainda não confirmou oficialmente a decisão de construir a planta no Brasil, mantendo uma postura de flexibilidade na sua estratégia. O interesse do BNDES, contudo, reforça a possibilidade de uma cooperação próxima, que poderia ampliar a capacidade brasileira de produzir terras raras, setores considerados estratégicos por governo e investidores. A questão agora é definir o formato dessa parceria — se será uma linha de financiamento ou uma entrada acionária — além de esclarecer detalhes sobre o valor do investimento, que ainda estão sendo discutidos.

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O que sabemos?

  • O BNDES estuda participar de um projeto de refinaria de terras raras na MG.
  • A participação pode ser feita por meio de financiamento ou de uma participação acionária mediante a BNDESPar.
  • A Lynas demonstra grande interesse na participação do banco, que reforça o compromisso do Brasil com o projeto.
  • A planta de refino fica prevista na região de Poços de Caldas, com potencial de se tornar uma das maiores fora da China.

Fontes

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