El Niño ameaça população de pinguins no Peru, deixando colônia quase vazia
Fenômeno climático provoca escassez de ninhos e coloca espécie em risco de extinção
A colônia de pinguins-de-humboldt na costa peruana de Punta San Juan foi drasticamente reduzida devido ao impacto do El Niño, que aquece as águas e afasta os peixes essenciais para a alimentação desses aves.
Segundo a diretora do programa de conservação de Punta San Juan, no Peru, a bióloga Susana Cárdenas-Alayza, a expectativa para a verificação da colônia de pinguins após o atual El Niño é baixa. A especialista afirmou que 'não tenho grandes expectativas quanto ao que vou encontrar', antecipando a gravidade da situação. O local, que já abrigou uma das maiores colônias reprodutivas de pinguins-de-humboldt no mundo, atualmente conta com apenas quatro indivíduos, em meio a um verdadeiro cemitério de quase 200 ninhos vazios.
Essa redução drástica na população não é um fato isolado. Ainda não confirmado oficialmente, fontes indicam que, há poucos anos, a colônia foi duramente afetada por uma combinação de eventos: a gripe aviária de 2022, que matou milhares de aves, e uma temporada de El Niño em 2023, que reduziu a quantidade de peixes de águas frias dos quais a espécie depende. Agora, com o El Niño se intensificando, há a preocupação de que essa possa ser uma das temporadas mais fortes já registradas, ameaçando ainda mais os poucos sobreviventes.
Especialistas explicam que os pinguins-de-humboldt, que levam o nome da corrente de Humboldt —uma corrente oceânica rica em plâncton que favorece a alimentação desses animais—, têm uma certa resistência às mudanças ambientais. Contudo, a cada dois a sete anos, o fenômeno climático causa o aquecimento das águas, afastando os peixes que compõem sua dieta e prejudicando a reprodução. Segundo fontes, a temporada reprodutiva costuma acontecer de março a dezembro, mas, nesta época, a área de Punta San Juan, que já foi vibrante em ninhos, agora está praticamente vazia.
De acordo com relatos ainda não confirmados oficialmente, a destruição da colônia reforça a preocupação com o impacto de alterações climáticas extremas, como o El Niño, na biodiversidade marinha e na sobrevivência de espécies específicas. A situação dos pinguins em Punta San Juan serve como um alerta para o efeito de fenômenos naturais que, embora antigos, parecem estar se intensificando com o avanço da crise climática global.
O que sabemos?
- A colônia de pinguins-de-humboldt em Punta San Juan foi drasticamente reduzida.
- Atualmente, restam apenas quatro pinguins na colônia.
- A temporada reprodutiva normalmente ocorre de março a dezembro.
- O El Niño em 2023 foi considerado possivelmente o mais forte já registrado.
- A combinação de gripe aviária e El Niño reduziu significativamente a população de pinguins.
Fontes
- UOL Notícias imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa





