Tecnologia

Especialistas alertam para desafios na preparação do Brasil para a era da inteligência artificial

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Falta de profissionais especializados e o impacto no desenvolvimento tecnológico do país são os principais obstáculos apontados

Estudantes em sala de aula com computadores, simbolizando a formação na área de tecnologia
Imagem: Jornal da USP

Segundo fontes da USP, o Brasil enfrenta dificuldades para se destacar na produção de IA devido à escassez de profissionais qualificados e investimentos insuficientes. O potencial brasileiro, contudo, reside na camada de aplicações da tecnologia.

Os desafios que o Brasil enfrenta na preparação para a era da inteligência artificial (IA) são tema de análise por especialistas destacando a importância do investimento na formação de profissionais no país. Segundo um professor da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP, as principais empresas voltadas ao desenvolvimento de IA no mundo, como Nvidia, OpenAI, Google, Microsoft, DeepSeek, Tencent e Huawei, são de origem estadunidense ou chinesa, atuando em áreas de ponta como produção de chips e software avançado. Essa concentração demonstra o quanto o Brasil ainda precisa avançar nesse campo, especialmente pela carência de profissionais qualificados segundo a mesma fonte.

O professor explica que, entre as razões para o atraso brasileiro, está a formação insuficiente na área de tecnologia, consequência direta de resultados insatisfatórios no exame internacional PISA, que avalia habilidades de leitura, matemática e ciências de estudantes do mundo todo. Ainda não há confirmação oficial sobre uma ligação direta, mas há um consenso de que a baixa escolaridade especializada prejudica a competitividade do país na inovação em IA. Além disso, a escassez de investimentos por parte das empresas locais e as dificuldades na coleta de dados reais para treinar algoritmos reforçam esse cenário adverso.

Apesar desse desafio, o professor destaca que o Brasil possui um potencial importante na camada de aplicação da IA, ou seja, na utilização da tecnologia pelos próprios usuários e profissionais de diversas áreas. “Por sermos um país grande, com boas bases de dados em quase todos os setores, podemos explorar nichos nesta fase, aproveitando nossas vantagens comparativas”, afirmou. Nesse contexto, a formação de bons usuários de IA — profissionais capazes de aplicar as ferramentas de forma ética e eficiente — é apontada como estratégia fundamental para o progresso.

Havendo essa transformação na formação, especialistas acreditam que o Brasil pode se tornar mais relevante na economia global de IA. O professor cita uma visão do acadêmico Erik Brynjolfsson, do MIT, de que os empregos não serão substituídos pela IA por completo, mas que as pessoas mudarão de função ao aprender a usar a tecnologia. Assim, a preparação de estudantes, professores e profissionais de todas as áreas para essa nova realidade ganha destaque, especialmente na educação, que precisaria mudar rapidemente para acompanhar o avanço de sistemas educacionais transformados na China, por exemplo.

Por fim, a importância de investirmos na educação e na valorização dos docentes é reforçada como etapa necessária para que o Brasil possa competir na era digital. O país gasta atualmente cerca de 5% do PIB em educação, semelhante a nações como Suécia e Nova Zelândia, mas ainda há um longo caminho a percorrer em políticas públicas mais inclusivas e bem estruturadas. Tudo isso para que, futuramente, o Brasil possa não apenas atuar na camada de aplicação da IA, mas também desenvolver suas próprias tecnologias e ferramentas, reduzindo a dependência de empresas estrangeiras nesta área crucial para o futuro global.

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O que sabemos?

  • O Brasil tem dificuldades para se destacar na produção de IA devido à escassez de profissionais qualificados.
  • Principais empresas globais de IA são de origem estadunidense ou chinesa.
  • Baixos resultados no PISA refletem na formação técnica do país.
  • Brasil possui potencial na aplicação da IA graças às suas bases de dados e tamanho.
  • Investimentos na educação e valorização dos professores são essenciais para o avanço nacional na tecnologia.

Fontes

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