Simulação de colisão que forma a Lua gera comparação com relato bíblico
Cientistas simulam impacto há bilhões de anos e provocam debates sobre tempos de formação celestial
Nova pesquisa utiliza modelagem avançada para entender origem da Lua, com resultados que despertaram interpretações religiosas na internet.
Uma recente simulação computacional sobre a origem da Lua trouxe à tona um resultado que despertou interesse fora do universo científico, levando algumas pessoas a compararem a velocidade de formação com relatos bíblicos da criação. Segundo pesquisadores, ao reconstituir a colisão entre a Terra jovem e um planeta do tamanho de Marte, chamado Theia, foi possível observar que uma Lua totalmente intacta poderia surgir em órbita da Terra em aproximadamente cinco horas após o impacto.
A pesquisa, publicada no The Astrophysical Journal Letters, considera fatores que antes eram ignorados em modelos tradicionais. Entre eles, a composição dos materiais internos dos corpos celestes — rocha e metal — e suas temperaturas internas. Segundo a pesquisadora principal, Dra. Adeene Denton, ao aplicar condições mais realistas, uma das simulações mostrou que a formação de uma Lua completa poderia ocorrer de modo quase imediato, em questão de horas, enquanto outros cenários ainda gerariam um anel de detritos levando milhões de anos para se consolidar.
O estudo explica que, na teoria, a colisão entre a jovem Terra e Theia teria despejado grande quantidade de rochas derretidas e detritos na órbita terrestre, formando uma nuvem de material que, lentamente, uniria-se para criar a Lua. Modelos anteriores costumavam tratar os corpos como gotas de fluido, porém, a nova abordagem incorporou a resistência dos materiais internos e suas temperaturas, o que alterou significativamente os resultados possíveis. Segundo a pesquisadora, ao manter as mesmas condições de impacto e estruturas internas, uma Lua íntegra poderia surgir em cerca de cinco horas, uma hipótese que, até então, não tinha sido considerada na ciência mainstream.
Embora as interpretações feitas por algumas pessoas nas redes sociais tenham relacionado o resultado ao relato bíblico de Gênesis, os pesquisadores deixam claro que o objetivo do estudo não foi testar as narrativas religiosas, mas explorar possibilidades científicas baseadas em dados e simulações. Eles afirmam que o estudo mostra apenas que uma formação rápida da Lua poderia ter ocorrido, e não que Deus criou a Lua em seis dias ou em qualquer período específico mencionado na Bíblia. Assim, o resultado despertou debates entre internautas, que têm interpretado o impacto de formas diversas, mas cientificamente, ainda não há como afirmar que a descoberta confirma qualquer relato religioso.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada





