Tecnologia

IA cria vídeo que revela movimento de jato de buraco negro na galáxia 3C 345

Em apuração ?

Tecnologia avança na observação de objetos cósmicos extremos com uso de inteligência artificial

Representação artística de um jato de buraco negro na galáxia 3C 345
Imagem: Olhar Digital

Pesquisadores utilizaram aprendizado de máquina para gerar um vídeo detalhado do jato de um buraco negro na galáxia 3C 345, ajudando a entender fenômenos astronômicos complexos.

Um avanço na observação de objetos cósmicos extremos foi anunciado por uma equipe de pesquisadores que utilizou inteligência artificial para criar um vídeo mostrando o movimento de um jato ligado a um buraco negro supermassivo na galáxia 3C 345. Segundo informações divulgadas pelo portal Olhar Digital, o vídeo foi produzido com base em 116 imagens coletadas entre 1995 e 2022, processadas por um algoritmo de aprendizado de máquina chamado Kine, que emprega redes neurais para aprimorar a resolução e o contraste das imagens, permitindo uma análise mais detalhada do fenômeno. A galáxia 3C 345 é considerada uma blazar, um tipo extremamente ativo de galáxia cujo núcleo central emite jatos de gás, plasma e outras partículas, atingindo velocidades próximas às da luz. Esses jatos têm chamado a atenção dos astrônomos há décadas devido ao seu comportamento variável. Segundo os pesquisadores, o objetivo era entender melhor a origem e o movimento desses jatos, que se acredita serem alimentados por um buraco negro supermassivo potencialmente orbitado por um segundo buraco negro. O vídeo apresenta três perspectivas distintas do jato: sua intensidade total, a polarização — que indica a força do campo magnético na região — e o fluxo óptico, que mostra a velocidade aparente do plasma em movimento. O estudo revelou que, ao contrário do esperado, essas regiões mais brilhantes não parecem ser áreas de choque que se movem muito mais rápido que o restante do estrutura do jato. Além disso, os autores ressaltaram que não encontraram correlação entre os picos de polarização e as estruturas brilhantes, o que põe em dúvida a hipótese de que esses elementos seriam frentes de choque, uma teoria que vinha sendo considerada. Para os cientistas, o uso de redes neurais foi fundamental para reconstruir o movimento do plasma ao longo do jato, possibilitando uma resolução aproximadamente quatro vezes maior do que as abordagens convencionais e um contraste 140 vezes maior. Essa tecnologia possibilita visualizar detalhes que antes eram impossíveis de serem detectados, o que pode abrir caminho para futuramente criar vídeos do horizonte de eventos de buracos negros, algo ainda não realizado. A pesquisa foi publicada na revista Nature, evidenciando sua relevância na comunidade científica. Ainda não há confirmações de outras fontes sobre o método ou resultados. A equipe responsável pelo estudo, envolvendo profissionais que também trabalharam no projeto do telescópio que produziu a primeira imagem de um buraco negro, destaca que essa inovação na análise de dados astronômicos demonstra o potencial da inteligência artificial na astronomia, sobretudo na compreensão de fenômenos tão complexos quanto os jatos relativísticos emitidos pelos buracos negros supermassivos.
Publicidade

O que sabemos?

  • Foram usadas 116 imagens entre 1995 e 2022 para criar o vídeo.
  • O vídeo mostra três perspectivas do jato: total, polarização e fluxo óptico.
  • O método emprega redes neurais que aumentam resolução e contraste de forma significativa.
  • A pesquisa questiona a hipótese de frentes de choque serem responsáveis pelas regiões brilhantes.
  • O estudo foi publicado na revista Nature, indicando seu peso científico.

Fontes

Publicidade