Pesquisas revelam riscos ainda não confirmados sobre as tatuagens e a saúde
Estudos apontam possíveis complicações, mas comunidade científica ainda investiga a segurança das tatuagens
Embora as tatuagens sejam cada vez mais comuns, há dúvidas sobre seus efeitos a longo prazo. Pesquisadores exploram reações imunológicas, infecções e possíveis ligações com doenças. Estudos recentes mostram que uma porcentagem significativa das tintas pode estar contaminada, mas a questão da segurança plena ainda não foi resolvida.
Com o crescimento da popularidade das tatuagens ao longo dos anos, especialmente nos países ocidentais, ainda pairam muitas dúvidas sobre os efeitos de longo prazo dessa prática na saúde. Segundo uma fonte que acompanha o tema, a comunidade científica ainda não conseguiu estabelecer com certeza se as tatuagens representam riscos à saúde ou se são seguras, devido à complexidade e às limitações dos estudos atualmente existentes.
O procedimento de fazer uma tatuagem envolve o uso de agulhas para depositar tinta sob a camada mais superficial da pele, entre 1 e 3 milímetros de profundidade. Essa ação, além de envolver a tinta – cuja composição varia bastante –, pode desencadear reações que vão desde respostas imunológicas até infecções bacterianas. Segundo uma pesquisa realizada na Dinamarca, com algumas centenas de participantes, cerca de 11% dos casos de complicação foram infecções bacterianas, enquanto 37% envolveram reações alérgicas, indicando que uma parcela importante dos indivíduos pode desenvolver problemas após tatuar-se.
Essas infecções podem aparecer dias após o procedimento, trazendo sintomas como vermelhidão, secreção e até febre. A causa dessas infecções é atribuída à contaminação dos equipamentos, à entrada de bactérias na ferida ou mesmo à tinta usada. Em 2012, cientistas detectaram bactérias em um recipiente de tinta ainda não aberto, o que sugeria que a contaminção ocorre durante a fabricação. Recentemente, a FDA, agência reguladora americana, constatou que 35% das tintas testadas, que somam mais de 200 amostras, estavam contaminadas com bactérias, mesmo aquelas rotuladas como estéreis.
Além das infecções, as reações alérgicas também são frequentes, principalmente na pele sensível nas semanas seguintes ao procedimento. Segundo uma dermatologista, essas alergias podem causar vermelhidão ou coceira e podem ser controladas com cremes tópicos. Notavelmente, as alergias podem surgir meses ou anos após a tatuagem, principalmente nas tintas vermelhas, uma das cores mais associadas a reações adversas. Em casos graves, a retirada da tinta, por raspagem ou outros procedimentos médicos, pode ser recomendada.
Outro ponto que preocupa os especialistas é a possibilidade de reações imunológicas mais severas, que podem se manifestar anos após a tatuagem na forma de protuberâncias ou inflamações persistentes. O dermatologista da Universidade Yale destaca que essas reações, às vezes, duram meses ou até anos e normalmente são tratadas com corticosteroides tópicos. No entanto, ainda não há consenso científico sobre os riscos de câncer relacionados às tatuagens, embora essa hipótese esteja sob investigação. Como explica uma fonte que acompanha essas pesquisas, respostas definitivas ainda não foram alcançadas, o que reforça a necessidade de estudos mais aprofundados para esclarecer essas questões.
O que sabemos?
- Tatuagens podem provocar infecções bacterianas, que ocorrem dias após o procedimento.
- Reações alérgicas às tintas, especialmente às vermelhas, podem surgir semanas, meses ou anos após a tatuagem.
- Bactérias foram encontradas em uma porcentagem significativa das tintas testadas por agências reguladoras.
- As reações imunológicas podem gerar protuberâncias e inflamações prolongadas, tratadas com corticosteroides.
- Ainda não há evidências conclusivas sobre a ligação entre tatuagens e câncer a longo prazo.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa



