Debate sobre nomes de doenças: por que a OMS quer substituir alguns títulos tradicionais
A mudança no nome de enfermidades busca reduzir o estigma e facilitar o entendimento
A Organização Mundial da Saúde está revisando a nomenclatura de certas doenças que atualmente carregam nomes de pessoas ou locais, visando melhorar a compreensão e diminuir preconceitos.
A nomenclatura de doenças é um tema mais complexo do que parece à primeira vista, envolvendo questões históricas, científicas e sociais. Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que está adotando uma nova postura ao nomear enfermidades, deixando de lado o uso de nomes de pessoas, locais, etnias ou animais, práticas que, no passado, eram comuns, mas que hoje são consideradas problemáticas.
Segundo fontes ligadas à OMS, essa mudança visa tornar os nomes das doenças mais objetivos e menos carregados de conotações negativas. Um exemplo clássico citado é o caso da doença de Lou Gehrig, que recebeu esse nome por causa do jogador de basebol que a ajudou a popularizar em 1939, após seu diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica. Apesar de homenagear um atleta conhecido, esse tipo de nome, segundo especialistas, acaba reforçando o estigma ao associar a condição a uma figura pública específica.
Outra situação que gerou debate foi o uso de nomes como 'síndrome de Down' e 'hashimoto'. A primeira nomeou a condição com base na descrição de um médico britânico do século XIX, John Langdon Down, que observou semelhanças físicas em indivíduos com a trissomia do cromossomo 21 e traços de um grupo étnico asiático, fazendo uma associação que, com o tempo, passou a ser vista como preconceituosa. A atualização do nome, oficializada em 1951, para simplesmente 'síndrome de Down' foi uma tentativa de reduzir esse estigma.
Na área de doenças neurológicas, o nome 'Creutzfeldt-Jakob' homenageia dois médicos responsáveis pela primeira descrição da doença, uma degeneração cerebral progressiva, em 1920. Ainda hoje, essa nomenclatura levanta discussões dentro da comunidade científica, com sugestões de alterar a ordem dos nomes ou até mesmo buscar um nome mais técnico e menos ligado a homenagens, para evitar possíveis interpretações equivocadas.
De acordo com um relatório divulgado pela CNN Brasil, em 2015 a OMS publicou um manual de boas práticas recomendando a adoção de nomes mais descritivos e neutros, afastando-se de termos que carregam cargas culturais ou raciais. O objetivo é evitar que nomes de doenças reforcem preconceitos ou gerem estigmatização de grupos específicos.
Embora essas mudanças ainda estejam em discussão e aguardem confirmação oficial, a tendência mostra uma preocupação crescente com a linguagem usada na medicina, buscando uma comunicação mais clara, inclusiva e livre de preconceitos. Assim, a história dessas denominações revela uma evolução na forma como a sociedade e a ciência encaram as doenças, promovendo um ambiente mais justo para todos.
O que sabemos?
- OMS está revisando a nomenclatura de doenças para evitar nomes de pessoas, locais ou etnias.
- Exemplos históricos incluem a doença de Lou Gehrig, síndrome de Down e doença de Creutzfeldt-Jakob.
- Mudanças visam reduzir o estigma e facilitar o entendimento público.
- Em 2015, a OMS publicou diretrizes encorajando nomes neutros e descritivos.
- Ainda não há confirmação oficial de que todas essas mudanças tenham sido implementadas oficialmente.
Fontes
- CNN Brasil imprensa



