Saúde

Pesquisa revela preocupação com saúde mental de jornalistas brasileiros diante de assédio e sobrecarga

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Estudo aponta altos índices de sintomas de ansiedade, depressão e uso de álcool entre profissionais de imprensa

Jornalistas em ambiente de escritório com expressão preocupada
Imagem: Agência Brasil

Um levantamento produzido pela Fundacentro e apoiado pela Fenaj mostra que jornalistas no Brasil enfrentam riscos à saúde mental devido às condições de trabalho, assédio moral e baixa convivência social.

Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (14) traz um alerta importante sobre a saúde mental de jornalistas no Brasil, indicando que as condições de trabalho, associadas ao assédio e ao pouco apoio social, elevam os riscos de problemas psicológicos entre os profissionais da imprensa. Segundo o estudo "Condições de Trabalho e Saúde Mental de Jornalistas no Brasil", realizado pela Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho (Fundacentro) com o apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), quase metade dos 257 jornalistas ouvidos relataram sofrer com insônia.

O levantamento aponta que 48% dos entrevistados afirmaram apresentar sintomas de insônia, percentual que supera a média nacional registrada pelo relatório Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquéritos Telefônicos (Vigitel Brasil), que varia entre 28,7% em Natal e 38% em Maceió. Além disso, 36% relataram episódios de ansiedade, enquanto a metade deles (50%) declarou estar enfrentando um quadro de depressão, com 9% sinalizando sintomas de depressão severa e 16% de depressão extremamente severa.

Outro dado preocupante é o consumo de álcool: 21,5% dos jornalistas revelaram ingesta frequente de bebidas alcoólicas em níveis que sugerem uso de risco (18,7%) ou nocivo (1,6%). Ainda, 1,2% dos entrevistados indicam uma provável dependência. Segundo as pesquisadoras Bruna Balarotti e Elaine Cristina Marqueze, o estresse constante, característico da rotina jornalística, aumenta a vulnerabilidade a riscos psicossociais, como assédio moral e cyberbullying. Este último, por sua vez, atinge aproximadamente 30% dos profissionais, em um cenário em que pelo menos 26% a 37% já relataram terem sido vítimas de assédio moral no ambiente de trabalho, incluindo o digital.

O estudo também revelou que 61% dos jornalistas avaliam a rede de apoio social no trabalho como baixa, o que, aliado ao pouco controle sobre suas atividades sob pressão, pode agravar os problemas de saúde mental. Essa combinação de fatores contribui para uma satisfação no trabalho que, segundo dados parcialmente não confirmados oficialmente, ficou levemente abaixo da média, reforçando a vulnerabilidade desse grupo diante do contexto atual.

Embora ainda não tenha sido esclarecido oficialmente, a pesquisa evidencia a necessidade urgente de empregadores, entidades de classe e formuladores de políticas públicas adotarem medidas que promovam ambientes de trabalho mais seguros, justos e saudáveis para os jornalistas brasileiros. Os autores do estudo destacam que a alta prevalência de assédio moral, cyberbullying e o baixo suporte social representam uma ameaça real à saúde mental desses profissionais, reforçando a importância de ações que possam reduzir esses riscos e oferecer mais apoio social e psicológico a quem trabalha na cobertura das notícias no país.

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O que sabemos?

  • Quase metade dos jornalistas apresentaram sintomas de insônia.
  • 36% relataram episódios de ansiedade.
  • 50% enfrentam quadro de depressão, com 9% grave e 16% extremamente grave.
  • 21,5% consomem álcool em níveis de risco ou nocivos.
  • 26% a 37% já sofreram assédio moral no ambiente de trabalho.

Fontes

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